domingo, 23 de abril de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo


Crianças desencarnadas manifestam-se aos vivos?

Há em nosso meio muitas pessoas que perguntam se existem na literatura espírita exemplos de intercâmbio mediúnico entre nós e Espíritos que ostentem na vida espiritual a forma infantil.
Antes de examinar a questão, informamos que já participamos de inúmeras sessões em que Espíritos de crianças se manifestaram.
É óbvio que em casos assim, excluída a possibilidade de mistificação, podem ocorrer duas situações.
A primeira é a comunicação de Espíritos que se fazem crianças para poderem, com a linguagem própria da criança, atingir com maior facilidade as pessoas a quem se dirigem. É tal qual se dá nas comunicações dos chamados pretos-velhos que, mesmo tendo tido outras experiências antes e depois, preferem manifestar-se numa forma em que seu modo de falar, simples e aparentemente ingênuo, toca mais profundamente as pessoas.
A segunda situação é a comunicação de Espíritos que ainda conservam no plano espiritual a forma infantil, fato mencionado por diversos autores, como Cairbar Schutel (A Vida no Outro Mundo), Irmão Jacob (Voltei), André Luiz (Entre a Terra e o Céu), Emmanuel (Crianças no Além), Cláudia Pinheiro Galasse (Escola no Além) e o próprio Allan Kardec, o codificador do Espiritismo (Revista Espírita de janeiro de 1859).
Como exemplo da segunda situação podemos mencionar a mensagem assinada pelo jovem Marcos Hideo Hayashi, psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier no dia 12 de dezembro de 1975, 10 meses após seu falecimento, ocasião em que Marcos contava apenas 12 anos. No acidente que o vitimou, também faleceram seus irmãos João Batista e Sheila, com 11 e 7 anos, respectivamente.
A mensagem de Marcos, adiante transcrita, faz parte do livro Crianças no Além:

Minha querida Mamãe, meu querido Papai.
Estou obedecendo ao meu avô Joaquim, que me trouxe para escrever. Peço para que me abençoem.
Querida Mamãe, a senhora pede notícias e rogou tanto, mas tanto, perante as orações, que me vejo aqui para trazer a esperança ao seu coração e fortalecer em meu pai a confiança na vida. Não sei como fazer isso direito: escrever falando o que se passa. Meu avô está me auxiliando, mas, por dentro de mim, estou como quem traz o pensamento tropeçando na vontade de chorar.
É preciso ser forte e ser um homem para receber um compromisso desses. Papai sempre nos ensinou que devemos ser valorosos com a luz da coragem na frente de nossos passos, mas é tanta dor para vencer, querida Mamãe, que eu não tenho forças para remover a situação.
Meu avô diz que não devo procurar desculpas e sim tomar o assunto sem mais demora. Por isso, quero dizer a você, Mãezinha, para confiar em Deus e na vida.
Papai é calado e tantas vezes sem manifestações iguais às nossas, mas para ele também estou garatujando esta carta. Rogo a vocês para não se deixarem dominar pelo sofrimento, embora este conselho deva ser ditado para mim mesmo. Estamos assim como num telefone direto, em que o fio do lápis vai formando as minhas palavras, sem que eu possa receber as palavras de meus pais queridos, ao mesmo tempo.
Sei tudo o que tem acontecido. Sei, Mãezinha, que a senhora, está sendo considerada uma pessoa em perturbação mental. Mas nós entendemos daqui as suas aflições. Três filhos esmagados quase ao chegarem em casa... E a nossa separação de repente. Isso transtornaria o cérebro de um gigante, quanto mais os nossos corações sempre ligados pelo carinho.
Desde que acordei aqui, ouço os seus gritos do coração suas palavras que não são faladas, suas preces de aflição no silêncio e suas lágrimas que aí na Terra ninguém vê... Mas peço à senhora, em nome da nossa Sheilinha, do João Batista e em meu nome, para viver e viver com fé em nosso reencontro.
Mamãe, se não fosse a falta que a gente experimenta de casa, se não fosse a voz da senhora e do papai por dentro de mim, eu diria que tudo está bem. Mas posso dizer agora que tudo melhorará, quando melhorarem na paciência e na confiança. Estamos num parque de crianças que vieram para cá apressadamente. Temos tratamentos, exercícios, lições e muito carinho. Muitos meninos já crescidos ajudam os menores e são auxiliares de enfermeiras queridas que nos amparam, como sendo filhos do coração. Temos repouso, mas o repouso é atravessado pelas recordações que se fazem tão vivas como se fossem relâmpagos coloridos e parados em nossas lembranças.
Nessas telas da alma, vemos o que se passa à distância e, além disso, suas vozes, Mãezinha, nos alcançam por todos os meios.
Peço a você - a você que é nosso querido anjo da guarda - entregar a Deus os acontecimentos de fevereiro. Não chore mais com desânimo e aflição. A senhora, sempre carinhosa e sempre imensamente boa para nós, não choraria mais com tanta angústia se visse a nossa querida Sheila cair de aflição, querendo ir ao seu encontro sem poder...
Ajude-nos, querida Mamãe.
Aqui temos muita gente dedicada ao bem. A Irmã Luiza nos abençoa - benfeitora que não conheci - e um santo a quem devemos chamar por Irmão Ukuru nos cerca de muito amor, quase todos os dias. O tio Diogo e o avô Joaquim são companheiros que tudo fazem por nosso auxílio. De tia Maria nada sei. Pergunto por ela, mas recebo apenas a notícia de que ela vai bem.
De certo modo ainda não estou muito em mim. Se tivesse de retomar os estudos aí em casa, creio que não seria possível. Tenho a cabeça assim aflita, como quem não saiu de um susto muito grande e não posso lembrar com muita insistência aquela Veraneio e nem a nossa casa em Perus, porque me sobe uma emoção ao cérebro que dá para tontear; mas o avô Joaquim me diz que tudo vai melhorar quando a senhora e papai estiverem mais fortes. Nós estamos todos unidos sem que eu saiba como é isso. O pensamento é uma força, mas não sei ainda explicar o que sinto.
Mamãe, não fique parando o olhar em nossas lembranças. Tudo o que foi nosso – de nós três - dê a outras crianças em nosso nome. Ficará para nós o coração inteirinho, porque a senhora, papai, João Batista, Sheila e eu não nos separamos.
Peça energias para nós nas preces do seu carinho de sempre. Mamãe, as lágrimas são forças de Deus em nossa vida, e por isso, nenhum de nós está livre de chorar, mas as nossas lágrimas devem ser orações de gratidão e amor, paz e fé.
Um dia estaremos todos juntos, mas não deseje vir para cá como quem força a entrada de uma casa desconhecida. Pouco a pouco, entenderemos as razões de tudo o que sucedeu. Rogamos para que a ninguém seja atribuída qualquer culpa pelo acidente. O veículo poderia estar sendo guiado por nós. Ninguém cria problemas de trânsito por vontade própria, como no caso em que nos vimos.
Mamãe, queremos a paz de todos. Ajudem, a senhora e meu pai, a termos paz.
Não se queixem. Vamos cultivar a saudade na igreja do amor ao próximo.
Temos tantos irmãos nas calçadas e nas ruas, pedindo auxílio! Sejam eles, filhos também de seu coração. Aqui, muitos pais de meninos desamparados oram conosco pelos filhos que sofrem no mundo, mas eu sei que a senhora e meu pai serão auxílio e bênção para esses meninos, filhos de tantos amigos bons que nos amparam aqui.
Não posso continuar.
Mamãe, abençoe os filhos que somos nós aqui, sem você, mas contando sempre com a senhora para ficar mais fortes. Deus nos auxiliará. Hoje, tenho mais fé.
Em nome dos irmãos e em meu nome, deixo a vocês, em casa, o nosso beijo de respeito e de amor. E recebam, com o abraço do avô Joaquim, todo o coração do filho, sempre filho reconhecido. (Marcos)

Finalizando, lembramos ao leitor o interessante caso que Allan Kardec intitulou “O Fantasma de Bayonne”, constante da Revista Espírita de janeiro de 1859, em que são relatadas as manifestações de uma criança desencarnada, registradas na residência de uma família de Bayonne, cidade localizada no Sul da França, perto da fronteira com a Espanha.
Para aclarar os fatos, Kardec evocou o autor espiritual das manifestações, o qual, ao aparecer na Sociedade Espírita de Paris, foi visto com os traços de uma criança entre 10 e 12 anos de idade, cabelos negros e ondulados, tez pálida, olhos negros e vivos, traços esses que coincidiam com os que foram descritos pela irmã do jovem desencarnado, quando de suas aparições feitas a ela. No diálogo com Kardec, o Espírito confirmou ser o irmão daquela jovem, desencarnado na idade de 4 anos.
O interessado em se inteirar de todos os pormenores desse caso pode fazê-lo consultando a própria Revista Espírita de 1859, que pode ser baixada também na Web. Eis o link que remete à edição mencionada: http://goo.gl/764b8v




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sábado, 22 de abril de 2017

Destaques da revista “O Consolador”




Encontra-se disponível na Web a edição semanal da revista O Consolador, cujos destaques vão abaixo relacionados, seguidos dos respectivos links:

Destaques da edição 513

Eis o link que remete à nova edição semanal da revista O CONSOLADOR.
Luis Otávio Henrique, presidente do C.E. Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, de Pongaí (SP), é o nosso entrevistado.
“Jovens se engajam cada vez mais com a espiritualidade.” (Giovana Campos)
No dia 29 começa em Caldas da Rainha mais uma Jornada de Cultura Espírita do Oeste.
“Na obra do bem, não é preciso muito para se obter resultados notáveis.” (Editorial)
Resposta a uma leitora: - Como proceder para conhecer melhor a doutrina espírita.
Veja o noticiário geral do movimento espírita no Brasil.
Anote e acompanhe os próximos eventos espíritas internacionais.
Há músicos no plano espiritual onde vivem os Espíritos desencarnados?
Qual é a importância do trabalho em nossa vida?
Céu, Inferno, Purgatório e Umbral são meros estados de consciência?
“O homem e a geração do futuro.” (Altamirando Carneiro)
“Abraça nos deveres diários o caminho da ascensão...” (Emmanuel)
“A necessidade da coerência.” (Anselmo Ferreira Vasconcelos)
Os Espíritos sabem perfeitamente o que ocorre em nossas vidas?
“Celebrando o Centenário” – como foi nas esferas espirituais. (Irmão X)
“Atitudes corretas?” (Guaraci de Lima Silveira)
“Os esforços de mudança de um menino arteiro.” (Meimei)
“Seria um incompreensível desperdício de espaço só haver vida na Terra.” (Jorge Hessen)
Consoante os ensinos espíritas, ninguém foge de si mesmo. Por quê? 
Chico Xavier e o caso do irmão embriagado que ele procurou evitar...
Reflexões sobre “A Parábola do Bom Samaritano”. (Marcos Paulo de Oliveira Santos)
“Sanktulo ne kondamnas pekinton, sed helpas lin sen aroganteco.” (Andreo Ludoviko)
Compliance e a cura.” (Marcus Braga)
Os Espíritos têm sexo?
Monera e mônada são sinônimos?
“O Cristo no trabalho cotidiano.” (Temi Mary Faccio Simionato)
“A igreja em casa.” (João de Deus)
“Nos caminhos da evolução: a transformação planetária.” (Wagner Ideali)





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Contos e crônicas


A adesão espírita de Machado

Mímese da crônica de 5 out. 1885 (Balas de estalo)

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Bem adivinham meus amigos onde estive nesta terça-feira. Fui assistir à excelente palestra de Haroldo Dutra Dias em comemoração do nascimento de Allan Kardec, ocorrido em 3 de outubro de 1804.
O orador esclareceu-nos sobre algo que eu ainda não sabia: Hippolyte Léon Denizard Rivail adotou o pseudônimo Allan Kardec, que foi o seu nome numa de suas encarnações passadas, como divisória entre sua missão de pedagogo renomado, na França, e a de Codificador da Nova Revelação ou Consolador Prometido por Jesus, que é o Espiritismo cristão.
Confesso minha verdade. Desde que assisti à palestra do Haroldo, distinto juiz e tradutor da versão grega do Novo Testamento, além de profundo conhecedor e divulgador da obra de Kardec, não mais tive qualquer dúvida: estava diante da Verdade, que viria dissipar todas as nossas dúvidas e permanecer para sempre conosco, como cumprimento da promessa de Jesus Cristo, anotada por João.
Eis a promessa de Jesus, registrada no Evangelho desse seu bem-amado apóstolo nos versículos 15 e 16 do capítulo 14: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre”.
Estava à porta do Espiritismo; a conferência de sexta-feira abriu-me a Sala da Verdade. Ante o que já havia lido e o que agora via e ouvia, não tive mais qualquer dúvida: converti-me, de toda a minha alma...
Terminada a exposição, entrei na fila do passe. Os fluidos recebidos por mim abriram ainda mais minha mente e, “de repente, não mais que de repente”, como diria o poetinha Vinícius de Moraes, percebi que
“Eu não tinha este rosto de hoje, /assim calmo, assim triste, assim magro, /nem estes olhos tão vazios, /nem o lábio amargo”. Mas essa é a primeira estrofe do poema de Cecília Meireles, intitulado Retrato, e, após identificar-me com essa descrição, percebi que eu já não era mais Machado de Assis e, sim, o conhecido escritor inglês Laurence Sterne, de quem, agora, copiava o modo galhofeiro de ironizar...
Que eu me lembre, já tive 1857 encarnações, a penúltima foi a desse inglês...
Sim, porque, como Sterne, estive “[...] firmemente persuadido de que cada vez que um homem sorri — mas, mais ainda, quando ele ri —  isso acrescenta algo a esse Fragmento de Vida”. [1] 
Sorrindo, olhei para um espelho, a ver se me via, e nada vi; estava totalmente espiritual. Foi quando o Espírito Zêus Wantuil surgiu e recomendou-me, livro em mãos: “Lê a obra intitulada As mesas girantes e o espiritismo, publicada pela FEB.” 
Eu estava diante do próprio autor desse livro exemplar, ou desse exemplar de livro, o que dá no mesmo.
Despertei do sonambulismo com o passista alertando-me: “Não digas a ninguém o que viste e ouviste até que tuas convicções se tornem inabaláveis”.
Fui para casa, abri O Evangelho segundo o Espiritismo e li, juro por Allan Kardec que tudo o que acabo de narrar é verdade; li que “Fé inabalável só o é a que pode encarar a razão em todas as épocas da humanidade”. Não tive dúvida, fui à livraria da FEB, na Av. L2 Norte, em Brasília, e comprei o livro.
Não se esqueça, leitor, de que agora sou Espírito e, como tal, tempo e espaço não mais são barreiras para mim... 
Amigo leitor, eu vi, eu ouvi, eu senti. Acredite em mim... por Allan Kardec... pelo Espírito da Verdade. Pelo amor de Deus! Outra coisa: não despreze minha obra só porque me tornei espírita, mas ao contrário, leia a extraordinária literatura que, futuramente, os médiuns Zilda Gama, Chico Xavier, Yvonne Pereira e Divaldo Franco psicografarão e... “Não extingais o espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo, retende o bem” (Paulo, 2 Tessalonicenses, 1;19 a 21).


[1] REGO, Enylton de Sá. O calundu e a panaceia: Machado de Assis, a sátira menipeia e a tradição luciânica. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989, p. 81.







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sexta-feira, 21 de abril de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas




A Reencarnação

Gabriel Delanne

Parte 1

Damos início hoje ao estudo do clássico A Reencarnação, de Gabriel Delanne, de acordo com a tradução feita por Carlos Imbassahy publicada pela Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Para que serve o perispírito?
B. Que espécies de provas da reencarnação existem?
C. Que significa Palingenesia e qual a sua origem?
D. Que filósofos da Antiguidade ensinavam a reencarnação?

Texto para leitura

1. As concepções de céu e inferno caducaram, pois não se compreende a eternidade do sofrimento como punição de uma existência, que, comparada à imensidade do tempo, é menos de um segundo. (PÁG. 12)
2. Sábios ilustres como Crookes, Wallace, Myers, Oliver Lodge, Lombroso aceitam, plenamente, para explicar os mesmos fatos a teoria espírita, a única que a eles se poderá adaptar. (PÁG. 13)
3. Prova-se que a alma existe antes do nascimento por argumentos filosóficos e pelas observações científicas. (PÁG. 14)
4. A experiência mostra que a alma é inseparável de um corpo fluídico, chamado perispírito, que contém em si todas as leis que presidem a organização e a manutenção do corpo material, e, ao mesmo tempo, as que regem o funcionamento psicológico do Espírito. (PÁG. 14)
5. Há vinte anos a reencarnação vem sendo admitida por grande número de Espíritos na Inglaterra e nos EUA, e daí concluímos que essa teoria teria sido, até então, posta de lado pelos Guias espirituais, para não chocar rudemente as crenças antigas e entravar assim o desenvolvimento do Espiritismo. (PÁGS. 15 e 16)
6. Nas comunicações espiríticas temos duas espécies de provas da reencarnação: 1ª. as que provêm de Espíritos que afirmam lembrar-se de suas vidas anteriores; 2ª.  aquelas nas quais os Espíritos anunciam quais serão suas futuras reencarnações aqui. (PÁG. 16)
7. Há, ainda, duas séries de provas concernentes às vidas sucessivas: as fornecidas pelos homens que se lembram de ter vivido na Terra e as decorrentes da existência dos meninos-prodígios. Como a hereditariedade psíquica é inadmissível, a reencarnação é a única explicação lógica das anomalias aparentes. (PÁG. 16)
8. A reencarnação é também chamada Palingenesia – de duas palavras gregas: palin, de novo; genesis, nascimento – e desde os albores da Civilização ela tem sido  formulada na Índia. (PÁG. 17)
9. O livro dos Vedas (Bagavat Gitá) afirma textualmente: "Assim como se deixam as vestes gastas para usar vestes novas, também a alma deixa o corpo usado para revestir novos corpos". (PÁG. 18)
10. Foi Pitágoras quem introduziu na Grécia a doutrina das vidas sucessivas, que ele aprendera no Egito e na Pérsia. (PÁG. 18)
11. Platão adotou a ideia pitagórica da Palingenesia. Segundo Platão, "aprender é recordar". (PÁG. 20)
12. A Escola Neoplatônica de Alexandria ensinava a reencarnação e Plotino e Porfírio falam sobre ela de forma absolutamente clara. (PÁGS. 20 e 21)
13. Jâmblico afirma não haver acaso nem fatalidade, mas uma justiça inflexível que regula a existência de todos os seres. Se alguns se veem em meio a aflições, não é em virtude de uma decisão arbitrária da Divindade, mas consequência inelutável de suas faltas anteriores. (PÁG. 21)

Respostas às questões preliminares

A. Para que serve o perispírito?
O perispírito é o organizador ao qual a matéria obedece, o desenho vital que cada um de nós realiza e conserva durante toda a existência. Corpo fluídico da alma, contém em si todas as leis que presidem a organização e a manutenção do corpo material e as que regem o funcionamento psicológico do Espírito. (A Reencarnação, Introdução, pág. 14, e cap. II, págs. 58 e 59.)
B. Que espécies de provas da reencarnação existem?
São quatro as espécies de provas da reencarnação: 1ª. as que provêm de Espíritos que afirmam lembrar-se de suas vidas anteriores; 2ª. aquelas nas quais os Espíritos anunciam quais serão suas futuras reencarnações aqui; 3ª. as fornecidas pelos homens que se lembram de ter vivido na Terra; 4ª. as decorrentes da existência dos meninos-prodígios. (Obra citada, Introdução, pág. 16.)
C. Que significa Palingenesia e qual a sua origem?
Palingenesia é o mesmo que reencarnação. Esse vocábulo é formado de duas palavras gregas: palin, de novo; genesis, nascimento. Desde os albores da Civilização a palingenesia era ensinada na Índia. (Obra citada, cap. I, pág. 17.)
D. Que filósofos da Antiguidade ensinavam a reencarnação?
Foi Pitágoras quem introduziu na Grécia a doutrina das vidas sucessivas, que ele aprendeu no Egito e na Pérsia. Platão adotou a ideia pitagórica da Palingenesia. Segundo Platão, "aprender é recordar". A Escola Neoplatônica de Alexandria ensinava a reencarnação e Plotino e Porfírio falaram sobre ela de forma absolutamente clara. Jâmblico dizia que não há acaso nem fatalidade, mas uma justiça inflexível que regula a existência de todos os seres. Se alguns se veem em meio a aflições, não é em virtude de uma decisão arbitrária da Divindade, mas consequência inelutável de suas faltas anteriores. (Obra citada, cap. I, págs. 18 a 21.)





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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




Diferentes categorias de
mundos habitados

Este é o módulo 24 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Jesus referiu-se em algum momento de suas pregações à existência de outros mundos habitados?
2. É a mesma a constituição física dos diferentes globos que circulam no Universo?
3. Existem em outros planetas indivíduos inferiores aos habitantes da Terra?
4. Segundo o Espiritismo, como podem ser classificados os diferentes mundos habitados?
5. Dentre os diversos planetas existentes no Universo, qual é a situação da Terra?

Texto para leitura

Povoamento dos mundos
1. Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos eles para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos é duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certamente, a esses mundos o Pai há de ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Nada, aliás, existe, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos trilhões de mundos semelhantes.
2. Quando Jesus disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver também vós aí estejais" (João, 14:1 a 3), o Mestre estava ensinando-nos o princípio da pluralidade dos mundos habitados, de uma maneira cristalina, para não deixar dúvidas.

A constituição física dos diversos planetas
3. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, consequentemente, dos seus habitantes. Cada mundo oferece aos que o habitam condições adequadas e próprias à vida planetária. As necessidades vitais num planeta poderão não ser as mesmas, e até opostas, noutro.
4. O mundo que habitamos faz parte de um séquito de planetas e asteroides que acompanham o Sol em sua viagem pela vastidão incomensurável do espaço. Mesmo assim, as distâncias entre os planetas que formam o nosso sistema planetário são imensas. Para se ter uma singela ideia disso, enquanto a Terra gasta aproximadamente 365 dias para promover uma volta ao redor do Sol, existem planetas que gastam para completar uma revolução ao redor do mesmo Sol entre 88 dias e 25 anos terrestres.
5. Nosso sistema planetário não ocupa, porém, senão um ponto ínfimo no universo. Haja vista que ele pertence a um grupamento estelar, ou galáxia, chamada Via-Láctea, onde existem bilhões de estrelas, algumas das quais tão grandes, mas tão grandes, que uma só ocupa espaço igual ao ocupado pelo Sol e quase todos os planetas que este arrasta consigo.  A estimativa mais recente feita pelos astrônomos revela que existem na Via-Láctea cerca de 400 bilhões de estrelas.

As diferentes categorias dos mundos habitados
6. Dos ensinos dados pelos Espíritos resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há planetas em que seus habitantes são inferiores aos da Terra, física e moralmente. Outros possuem a mesma categoria que o nosso e muitos lhe são mais ou menos superiores.
7. Nos mundos inferiores, a existência é toda material e as paixões reinam soberanas, sendo quase nula a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que nos mundos mais adiantados a vida é, por assim dizer, toda espiritual.
8. Evidentemente, não podemos fazer uma classificação absoluta das categorias dos mundos habitados, mas Kardec nos oferece uma que nos permite uma visão geral sobre o assunto:
A) Mundos primitivos – Nos mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana, a vida, toda material, se limita à luta pela subsistência, o senso moral é quase nulo e, por isso mesmo, as paixões reinam soberanas. A Terra já passou por essa fase.
B) Mundos de expiação e provas – Nesses mundos o mal predomina. É a atual situação da Terra, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias.
C) Mundos de regeneração – São mundos em que as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta.
D) Mundos ditosos ou felizes – São os planetas onde o bem sobrepuja o mal e, por isso, a felicidade impera.
E) Mundos celestes ou divinos – São as habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem, visto que todos que aí vivem já alcançaram o cume da sabedoria e da bondade.

Respostas às questões propostas

1. Jesus referiu-se em algum momento de suas pregações à existência de outros mundos habitados?
Sim. Quando o Mestre disse: "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar”, ele estava ensinando-nos o princípio da pluralidade dos mundos habitados, de uma maneira cristalina, para não deixar dúvidas.
2. É a mesma a constituição física dos diferentes globos que circulam no Universo?
Não. As diferentes moradas a que Jesus se referiu correspondem ao adiantamento dos Espíritos que nelas se encarnam. Em função disto, diversa é a constituição física de cada mundo e, consequentemente, a dos seus habitantes.
3. Existem em outros planetas indivíduos inferiores aos habitantes da Terra?
Sim, do mesmo modo que há em determinados planetas Espíritos superiores aos que habitam a Terra.
4. Segundo o Espiritismo, como podem ser classificados os diferentes mundos habitados?
Os mundos que circulam no espaço infinito classificam-se em cinco categorias: mundos primitivos, mundos de expiação e provas, mundos de regeneração, mundos ditosos ou felizes e mundos celestes ou divinos.
5. Dentre os diversos planetas existentes no Universo, qual é a situação da Terra?
Planeta ainda muito novo, a Terra está, segundo o Espiritismo, situada na categoria de mundo de expiação e provas.



Nota:
Eis os links que remetem aos 5 últimos  textos:



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