quinta-feira, 26 de abril de 2018





Provas da reencarnação

Este é o módulo 77 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Quais são as principais provas de que a reencarnação existe?
2. A chamada “regressão de memória” serve de alguma forma para comprovar a reencarnação?
3. Que importância têm na comprovação da reencarnação as revelações contidas nos ditados mediúnicos?
4. Como o Espiritismo explica a existência dos chamados meninos-prodígios?
5. Os críticos do Espiritismo afirmam que a reencarnação leva o indivíduo à indolência, porque o que não se faz hoje pode-se fazer futuramente. É correto esse pensamento?

Texto para leitura

A regressão de memória é uma das provas da reencarnação
1. As evidências de que a reencarnação é um fato baseiam-se essencialmente no seguinte:
I. Na regressão da memória às existências passadas, que pode efetuar-se por força de sugestão ou da recordação espontânea de existências anteriores, sem que se identifique uma causa que a justifique. Neste último caso, a recordação pode dar-se tanto no sono comum como no estado de vigília, como os casos pesquisados, entre outros, pelos professores H. N. Banerjee e Ian Stevenson [1].
II. Na revelação obtida por meio da mediunidade, em que Espíritos transmitem revelações sobre existências anteriores próprias ou de terceiros.
III. No fato das ideias inatas e da existência dos meninos-prodígios, assunto que continua a abalar as bases científicas da hereditariedade.
2. Secundariamente, não como prova de sua existência, mas como indício óbvio de sua antiguidade no pensamento humano, a reencarnação é também ensinada por diversas escolas religiosas – notadamente as orientais – e filosóficas. Pitágoras, por exemplo, foi um dos seus defensores mais ardorosos.
3. Alguns fatos registrados nos anais da história merecem ser aqui lembrados, por constituírem testemunhos importantes em favor da realidade da reencarnação:
· Juliano, o Apóstata, lembrava-se de ter sido Alexandre da Macedônia.
· O poeta Lamartine declara em sua “Viagem ao Oriente” ter tido reminiscências muito claras de suas existências passadas.
· O escritor francês Mery recordava-se de ter combatido na guerra das Gálias e também na Germânia, quando então se chamara Minius.
· O sensitivo Edgar Cayce, em transe mediúnico, revelava fatos de existências anteriores das pessoas que o procuravam e dele mesmo. Cayce afirma que numa existência imediatamente anterior fora John Bainbridge, nascido nas Ilhas Britânicas em 1742.

A reencarnação é também provada pelas revelações espíritas
4. Pela regressão da memória obtida tanto por meio da hipnose, como pela simples sugestão, método que é usado largamente por terapeutas diversos, têm sido obtidas grandes e numerosas evidências da reencarnação.
5. O psiquiatra inglês Denys Kelsey relata em seu livro “Muitas Existências”, escrito em parceria com sua esposa, o caso de um cliente, profissional liberal de meia-idade, afligido por persistente e invencível inclinação homossexual. Depois de aplicar os métodos clássicos da psicanálise, sem nenhum resultado, numa sessão de hipnose, já pela décima quarta consulta, o paciente começou a descrever episódios de uma existência vivida entre os hititas [2], quando, na qualidade de esposa de um dos chefes da época, acostumada ao luxo, exercera grande poder sobre o marido. Quando a beleza física se foi e o marido deixou de interessar-se por ela, o choque emocional foi muito forte para a sua natureza apaixonada. Tentando atrair terríveis malefícios sobre seu esposo, ela pediu a um sacerdote de Baal que o amaldiçoasse; mas acabou assassinada, levando para o Além toda a frustração da sua humilhante posição de esposa orgulhosa e desprezada. Ao que parece, deduziu o Dr. Kelsey, o episódio estava repercutindo na existência atual, na qual a mesma pessoa experimentava inclinação homossexual. 
6. Como exemplos de provas da reencarnação por meio de ditados mediúnicos, Gabriel Delanne, em seu livro “A Reencarnação”, cita vários casos. Eis um deles, que lhe foi relatado pelo Sr. E. B. de Reyle, por meio de uma carta: “Em agosto de 1886, fizemos uma sessão de evocação, no curso da qual se apresentou, a princípio pela tiptologia, e depois, a nosso pedido, pela escrita medianímica, uma entidade que meus pais perderam, ainda de pouca idade... Assegurava esperar, para reencarnar-se, o nascimento do meu primeiro filho, especificando que seria rapaz e viria dentro de 18 meses. Não se esperava uma criança. Ora, em fevereiro de 1888, nascia o nosso filho mais velho, que recebeu o nome de Allan, na data prevista, com o sexo predito”.  

A doutrina da reencarnação estimula o progresso coletivo e individual
7. Allan Kardec perguntou aos Espíritos Superiores: “Qual a origem das faculdades extraordinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, o das línguas, do cálculo, etc.?” Os Espíritos responderam: “Lembrança do passado; progresso anterior da alma, mas de que ela não tem consciência. Donde queres que venham tais conhecimentos? O corpo muda, o Espírito, porém, não muda, embora troque de roupagem”. Nessa citação encontramos mais uma prova da reencarnação: a das ideias inatas. A História nos revela inúmeros exemplos de gênios, de sábios, de homens valorosos cujos pais, ou mesmo seus filhos, não foram grandiosos como eles. 
8. Alguns desses Espíritos foram na Terra o que costumamos chamar de meninos-prodígios, cujo talento conseguiu pôr em dúvida as leis da hereditariedade. Evidentemente, o Espiritismo não nega a hereditariedade física ou genésica, mas repele a ideia de que exista uma herança moral ou intelectual transmissível de pais para filhos. De fato, sabemos que vários sábios nasceram em meios obscuros, como é o caso de Augusto Comte, Espinosa, Kleper, Kant, Bacon, Young, Claude Bernard etc., enquanto homens de valor tiveram como descendentes pessoas comuns ou mesmo medíocres. Péricles, por exemplo, procriou dois tolos. Sócrates e Temístocles tiveram filhos indignos de seus nomes, e os exemplos não param por aí, porque são muitos e conhecidos.  
9. Ante as provas mencionadas, a tese da reencarnação mostra ser uma doutrina renovadora, porque estimula o progresso individual e, consequentemente, o coletivo. A reencarnação revela-nos o que fomos, o que somos e o que seremos, e constitui o instrumento por excelência da lei do progresso e da aplicação da lei de causa e efeito. 
10. A doutrina das vidas sucessivas – ao contrário da crença de que somos condenados a uma pena eterna depois de uma única oportunidade na vida – satisfaz, pois, todas as aspirações de nossa alma, que exige uma explicação lógica do problema do destino. E, o que é inegavelmente mais importante, ela se concilia perfeitamente com a ideia de que existe uma Providência divina, ao mesmo tempo justa e boa, que não pune nossas faltas com suplícios eternos, mas que nos enseja, a cada instante, o poder de reparar nossos erros, elevando-nos na escala evolutiva graças aos nossos próprios esforços.

[1] Ian Stevenson, então docente na Universidade de Virgínia (EUA), autor do livro “Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, relata nessa obra experiências de pessoas que recordam espontaneamente episódios de existências anteriores, espécie de fenômenos a que se deu o nome de “memória extracerebral”.
[2] Os hititas habitaram a Síria setentrional por volta de 1900 a.C. 

Respostas às questões propostas

1. Quais são as principais provas de que a reencarnação existe?
As evidências de que a reencarnação é um fato baseiam-se essencialmente no seguinte: I. Na regressão da memória às existências passadas, que pode efetuar-se por força de sugestão ou da recordação espontânea de existências anteriores, sem que se identifique uma causa que a justifique. II. Na revelação obtida por meio da mediunidade, em que Espíritos transmitem revelações sobre existências anteriores próprias ou de terceiros. III. No fato das ideias inatas e da existência dos meninos-prodígios, assunto que continua a abalar as bases científicas da hereditariedade.
2. A chamada “regressão de memória” serve de alguma forma para comprovar a reencarnação?
Sim, sobretudo quando o fato contido na revelação for comprovado por meio de uma pesquisa imparcial, como as realizadas por Ian Stevenson e Banerjee.
3. Que importância têm na comprovação da reencarnação as revelações contidas nos ditados mediúnicos?
Dependendo das condições em que são dadas e da idoneidade moral do médium, sua importância é muito grande.
4. Como o Espiritismo explica a existência dos chamados meninos-prodígios?
O talento e os conhecimentos que essas crianças revelam sem estudo prévio na atual encarnação são mera consequência de uma lembrança do passado, do progresso anterior da alma, de que evidentemente elas não têm consciência. O corpo muda, o Espírito, porém, não muda, embora troque de roupagem.
5. Os críticos do Espiritismo afirmam que a reencarnação leva o indivíduo à indolência, porque o que não se faz hoje pode-se fazer futuramente. É correto esse pensamento?
Obviamente, não. A reencarnação é, em verdade, uma doutrina renovadora, porque estimula o progresso individual e, consequentemente, o coletivo, ao revelar-nos o que fomos, o que somos e o que seremos. E, o que é inegavelmente mais importante, ela nos mostra que existe uma Providência Divina, ao mesmo tempo justa e boa, que não pune nossas faltas com suplícios eternos, mas que nos enseja, a cada instante, o poder de reparar nossos erros, elevando-nos na escala evolutiva graças aos nossos próprios esforços.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questões 219 e 222.
A Reencarnação, de Gabriel Delanne, págs. 178, 234, 235, 236, 266 e 310.
Reencarnação e Imortalidade, de Hermínio C. Miranda, págs. 125, 126, 239 e 242.
Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação, de Ian Stevenson.


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:




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quarta-feira, 25 de abril de 2018





O desânimo

Joanna de Ângelis (autora espiritual)

Tóxico imobilizador, o desânimo se insinua suavemente, dominando as reservas da coragem e submetendo o combatente à sua ação perturbadora.
Instala-se, a pouco e pouco, inspirando pessimismo e mal-estar, que se agrava, qual invasor que conquista passo a passo os espaços abandonados à sua frente.
O desânimo é inimigo covarde que ceifa mais vidas do que o câncer, pelos resultados que logra na economia do comportamento humano.

*

Quando sintas a insinuação do desânimo, ciciando-te falsos motivos para que abandones a peleja, ou a postergues, ou a desconsideres, tem cuidado. Usa a razão e expulsa-o da casa mental.
Às vezes se te apresenta na condição de mágoa defluente de qualquer incompreensão sofrida e, noutras ocasiões, em forma de exaustão de forças, que deves superar, mediante mudança de atitude mental e de atividade física.
A marcha do tempo é inexorável.
De qualquer forma, as horas se sucedem. Utiliza-as de maneira condigna, mesmo que a peso de sacrifícios.
Quando transponhas a barreira da dificuldade, constatarás a vantagem de haver perseverado, descobrindo-te rico de paz, face aos tesouros de amor e realização que adquiriste.
Motivo algum deve servir de apoio para o desânimo. Tudo, na vida, constitui convite para o avanço e a conquista de valores, na harmonia e na glória do bem.

Do livro Episódios Diários, obra mediúnica psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco.




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terça-feira, 24 de abril de 2018





A partir de nós

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

O mais próximo não é o outro, somos nós. Antes de doarmos aos outros, precisamos nos amar, respeitar, cuidar, precisamos ter paciência conosco, carinho, ternura. Já é claro que só podemos doar verdadeiramente o que podemos sentir. Em meio a tantos encontros, eternamente estaremos em nossa companhia.
Querer conhecer-se melhor, pois a sabedoria traz a verdade de conhecer-se a si mesmo. Então, só avançaremos à medida que nos conhecermos. A vida é nobre e simples e dispensa toda e qualquer complicação e exagerada retórica, apresentando-nos um grande ensinamento: façamos ao outro o que desejamos a nós. E tão bem sabemos que nenhuma pessoa naturalmente deseja o pior a si.
Somos responsáveis pelo que causamos aos outros, no entanto, tão ou mais pelo que causamos a nós mesmos, pois outras pessoas podem afastar-se ou pedir ajuda, porém, nós... somos nossos tristes prisioneiros ou felizes companheiros e ninguém poderá ajudar-nos se não o quisermos.
Os belos jardins também são para nós, como as lindas palavras, os bons gestos, o apoio, o sorriso, o doce suave, a água fresca e o descanso, o cuidado, a gentileza, a comida que nutre, a poesia que enleva, o bom livro e a bela música, o olhar amoroso, a leveza da graça. Nossos abraços também devem ser em nós. Assim é, sempre seremos o nosso tudo: o começo, o meio e o eterno.
E a vida nos cuidará assim como nos cuidarmos.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/




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segunda-feira, 23 de abril de 2018




Ante o Calvário

Augusto dos Anjos

Da terra do Calvário ardente e adusta,
Entre prantos pungentes, o Cordeiro
Da Verdade e da Luz do mundo inteiro
Vive o martírio de sua alma augusta.

Sobre a cruz infamérrima se ajusta
A crueldade do espírito rasteiro
Do homem, que é sempre o tigre carniceiro,
Enquanto grita a turba ignara e injusta.

Depois de vinte séculos ingratos,
Multiplicando Herodes e Pilatos,
Correm de novo as lágrimas divinas;

Pois, embora o Direito, o Livro e a Toga,
A Humanidade triste inda se afoga
No sangue escuro das carnificinas.


Do livro Parnaso de Além-Túmulo, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.





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domingo, 22 de abril de 2018




Fazer o bem e não o mal, eis nosso lema

Como o leitor pode conferir consultando a Revue Spirite de 1862, no dia 25/5/1862 o jornal francês Abeille Agénaise publicou um artigo intitulado Conversas Espíritas, em que o Sr. Cazenove de Pradine apresentou um resumo do Espiritismo e, no final, classificou-o como uma doutrina perversa. Um leitor, o Sr. Dombre, radicado na cidade francesa de Marmande, escreveu ao referido jornal contestando a crítica, mas sua carta não foi publicada, sob a alegação de que o jornal não poderia propagar ditas ideias, a seu ver essencialmente perigosas.
As pessoas têm todo o direito de manifestar o que pensam e de gostar ou não dessa ou daquela ordem de ideias, tanto no campo da política, como no tocante à filosofia, à arte ou à religião.
Para atribuir a qualidade de perverso a uma doutrina, como o Espiritismo, é necessário, porém, que o crítico indique as razões em que se fundamenta.
O adjetivo perverso, conforme lemos em um dos melhores léxicos da língua portuguesa, significa: traiçoeiro, maligno, malvado, que mostra perversão, que tem péssimas qualidades, que tem intenção de fazer o mal ou de prejudicar.
Ora, nada disso se aplica à doutrina ensinada pelos Espíritos superiores, e somente a ignorância dos ensinos espíritas ou a maldade, o preconceito e os interesses escusos podem levar uma pessoa a semelhante afirmativa.
Se o Sr. Cazenove tivesse lido pelo menos a Introdução da principal obra espírita, jamais teria feito tal acusação, e isso sabem-no muito bem os que frequentam as casas espíritas e assistem às palestras públicas ofertadas diariamente aos seus frequentadores.
Com efeito, lemos na mencionada Introdução d’O Livro dos Espíritos:

“As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição.
As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.
A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se haver separado do corpo.
Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança de todo bem e de todo mal que fez.
A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações.” (O Livro dos Espíritos, Introdução, VI.)

Onde a maldade, a perversidade, a traição nos textos acima ou em qualquer outro que integre as obras espíritas?
A perversidade, ao contrário disso, já fez morada em outros corações e em outros credos, não no seio do Espiritismo.
Recordemos:
- Quem inventou e incentivou as Cruzadas?
- A Inquisição não foi obra do Espiritismo nem dos espíritas.
- Quem cometeu as barbaridades criminosas da malfadada Noite de São Bartolomeu?
- Não foi um pregador espírita que pisou e esmagou, diante das câmeras de TV, uma estatueta de Nossa Senhora.
- Que religiosos têm ateado fogo aos centros espíritas e aos núcleos mantidos por umbandistas e por nossos irmãos do Candomblé?
Os cristãos se revelam por suas obras e, segundo Jesus, pelos frutos os conheceremos, como ele advertiu em um de seus magníficos sermões:

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.” (Mateus, 7:15-20.)

  



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sábado, 21 de abril de 2018




Amar sempre
   
JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

— Bom dia, amigo Jó. Parabéns por sua cirurgia! Breve você voltará a ouvir o canto do sabiá, o voo dos aviões, a cascata a despencar no morro dos gaviões.
Não desanime, 6.6 é apenas o começo, desde 16 de março, de uma nova e gloriosa etapa a serviço do Cristo.
— Bom dia, Bruxo, não desanimarei, pois já percebo que ainda é o amor o antídoto do mal, mesmo quando observo a incoerência, a ambição desmedida e o egocentrismo predominarem em nosso mundo.
— Como você observou bem, em sua tese aprovada na UnB, Jó, não sei se é na literatura que está a salvação, mas predomina nos meus personagens e nos de todos os bons escritores tremenda influenciação espiritual, sem que quase ninguém perceba isso.
— Pois é, Machado, um dos nossos objetivos foi exatamente este: mostrar ao leitor ou leitora o fundo moral subjacente em sua obra e expresso por sua ironia em relação aos costumes depravados da sociedade brasileira. O outro foi propor aos amantes da literatura a análise do rico conteúdo espírita a ser explorado pelos pesquisadores e proposto como monografia de final de curso, seja este de graduação, especialização, mestrado ou doutorado.
— Esteja certo, amigo Jó, que seus objetivos foram alcançados. Os resultados é que serão atingidos paulatinamente. As pessoas ainda não perceberam que a palavra “desinteresse” tem um alcance mais amplo do que o exigido por elas aos trabalhos alheios. Se você é bem-sucedido em algo, não faltarão atitudes de inveja e ataques destruidores de sua obra. Não se preocupe com isso, continue trabalhando.
— É verdade, Machado, também o auxílio que damos a outrem é esquecido facilmente, mas aprendi que não devemos aguardar reconhecimento e, sim, continuar fazendo o bem.
— Continue, amigo, amando e servindo sem parar.
Ainda que riam de sua honestidade, permaneça sendo honesto.
Mesmo que destruam tudo que você construiu ao longo dos anos, continue construindo.
Ajude sempre, ainda que o beneficiado seja ingrato e agressivo.
Não busque reconhecimento do mundo. Faça sempre o melhor que puder.
Perdoe sempre. Exercite a compaixão para com todos.
Somente os bons são verdadeiramente felizes.  
Nada exija. Sirva sempre.
Um dia, com lágrimas de felicidade, você verá um vulto luminoso caminhar ao seu encontro. É Jesus que, com sua voz dulcíssima, dir-lhe-á:
— Vem a mim, bendito do meu Pai, pois tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, era órfão e me amparaste, tive frio e me agasalhaste e quando preso me visitaste.
Então você, emocionado, apenas perguntará ao Cristo: — Senhor, que devo fazer para merecer tamanha felicidade?
E Ele responder-lhe-á: — Amar sempre!





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sexta-feira, 20 de abril de 2018






A Alma é Imortal

Gabriel Delanne

Parte 4

Continuamos o estudo do clássico A Alma é Imortal, de Gabriel Delanne, conforme tradução de Guillon Ribeiro, publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esperamos que este estudo sirva para o leitor como uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte do estudo compõe-se de:
a) questões preliminares;
b) texto para leitura.
As respostas às questões propostas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Além de admitir a existência dos Espíritos, que fenômenos espíritas descreve G. Billot, doutor em Medicina, em obra publicada em 1839, muito antes do advento do Espiritismo?
B. Que informações podemos encontrar na obra Fisiologia do Magnetismo, de Chardel, a respeito do passe e do êxtase?
C. Por que razão os sonâmbulos são dotados da faculdade de ver os Espíritos?

Texto para leitura

31. Na correspondência que manteve com Deleuze, o doutor Billot afirma sua crença na existência dos Espíritos e admite que os guias espirituais podem atuar sobre o corpo dos pacientes, pois foi, certa vez, testemunha de uma sangria que por si mesmo cessou, logo que o sangue saiu em quantidade suficiente, sem que houvesse necessidade de fazer-se qualquer ligadura. (Págs. 43 e 44)
32. Nessa correspondência, Deleuze revela, a princípio, dificuldade em aceitar as ponderações do Dr. Billot, mas, por fim, admite também ter podido observar pacientes que se achavam em comunicação com as almas dos mortos. (Pág. 45)
33. O magnetismo, segundo ele, demonstra a espiritualidade da alma e sua imortalidade, e prova a possibilidade da comunicação das Inteligências separadas da matéria com as que lhe estão ainda ligadas. Relata Deleuze: “Uma moça sonâmbula, que perdera o pai, por duas vezes o viu muito distintamente. Viera dar-lhe conselhos importantes. Depois de lhe elogiar o proceder, anunciou-lhe que um partido se lhe ia apresentar; que esse partido pareceria convir e que o rapaz não lhe desagradaria; mas que ela não seria feliz desposando-o, e, portanto, o recusasse. Acrescentou que, se ela não aceitasse esse partido, outro logo depois apareceria, devendo achar-se tudo concluído antes do fim do ano”. Os fatos ocorreram tal como foram preditos pelo pai da jovem sonâmbula. (Pág. 45)
34. A fim de levar seu amigo a uma crença completa, o Dr. Billot narrou-lhe alguns fenômenos de trazimento de objetos de que fora testemunha. Num deles, ocorrido a 17 de outubro de 1820, diz o Dr. Billot que fora trazida à sessão uma planta - um arbúsculo com flores labiadas e em espigas - a exalar delicioso perfume. Antes que o transporte se desse, a sonâmbula informou ter visto uma donzela apresentando-lhe aquela planta, que, segundo ela, seria útil no tratamento de uma senhora com amaurose presente à sessão. (Págs. 46 e 47)
35. Por esse testemunho se vê que os fenômenos de trazimento já eram conhecidos nos começos do século XIX, o que demonstra mais uma vez a continuidade das manifestações espíritas que constantemente se têm realizado, mas que o público rejeitava como diabólicas ou considerava apócrifas. O Dr. Billot mostra ainda, em sua correspondência, que não lhe era estranho o conhecimento da tiptologia. (Pág. 48)
36. Conta Chardel, autor da obra Fisiologia do Magnetismo, que a sonâmbula Lefrey explicou-lhe certa vez, após lhe ditar algumas prescrições terapêuticas, que lhe era possível ver muito bem o que saía do corpo do magnetizador quando este a magnetizava. “A cada passe que o senhor me dá - disse-lhe a sonâmbula -, vejo sair-lhe das extremidades dos dedos como que pequenas colunas de uma poeira ígnea, que se vem incorporar em mim e, quando o senhor me isola, fico por assim dizer envolta numa atmosfera ardente, formada dessa mesma poeira ígnea.” (Pág. 49)
37. Na sequência, a sonâmbula informou ser-lhe possível ouvir - sempre que quisesse - ruídos produzidos ao longe e sons emitidos a cem léguas dali. Eis o que textualmente ela disse: “Não preciso que as coisas venham a mim; posso ir ter com elas, onde quer que estejam, e apreciá-las com muito maior exatidão, do que o poderia qualquer outra pessoa que não se encontre em estado análogo ao meu”. (Pág. 49)
38. Refere ainda Chardel que uma outra sonâmbula costumava ter, à noite, uma espécie de êxtase, que explicava assim: “Entro, então, num estado semelhante ao em que o magnetizador me põe e, dilatando-se o meu corpo pouco a pouco, vejo-o muito distintamente longe de mim, imóvel e frio, como se estivesse morto. Quanto a mim, assemelho-me a um vapor luminoso e sinto-me a pensar separada do meu corpo. Nesse estado, compreendo e vejo muito mais coisas do que no sonambulismo, quando a faculdade de pensar se exerce sem que eu esteja separada dos meus órgãos. Mas, escoados alguns minutos, um quarto de hora, no máximo, o vapor luminoso de minha alma se aproxima cada vez mais do meu corpo, perco os sentidos, cessa o êxtase”. (Págs. 49 e 50)
39. Delanne argumenta que, se as almas desencarnadas podem comunicar-se entre si, claro é que poderão manifestar-se aos sonâmbulos, quando estes se acharem mergulhados no sono magnético, ocasião em que - desprendido em parte do laço fisiológico - a alma se encontra num estado quase idêntico ao em que um dia se achará permanentemente. (Págs. 50 e 51)
40. Os magnetizadores - esclarece Delanne - se viram, em sua maioria, obrigados a reconhecer tal fato, como admite o Dr. Bertrand, autor de Tratado de Sonambulismo, o qual, falando de uma sonâmbula muito lúcida, disse que a mulher se exprimia sempre como se um ser distinto, separado dela, lhe houvesse transmitido as noções extraordinárias que ela manifestava no estado sonambúlico. (Pág. 51)
41. Atesta o Dr. Bertrand, em sua obra referida: “Verifiquei o mesmo fenômeno na maior parte dos sonâmbulos que tenho observado. O caso mais vulgar é o em que ao sonâmbulo parece que os acontecimentos que ele anuncia lhe são revelados por uma voz”. (Pág. 51)
42. O barão du Potet, por longo tempo incrédulo, foi também constrangido a confessar a verdade. Diz ele ter encontrado de novo, no magnetismo, a espiritologia antiga e afirma que se pode entrar em contato com os Espíritos desprendidos da matéria, a ponto de obter-se deles aquilo de que tenhamos necessidade. (Pág. 51)
43. Delanne adverte, contudo, que devemos preservar-nos com cuidado de dar crédito às afirmações dos sonâmbulos, salvo quando assentem em provas absolutas, do gênero das que foram aqui reproduzidas, apresentadas pelo Dr. Billot. É que, na maior parte das vezes, os pacientes são sugestionados pelo experimentador e por sua própria imaginação. Carece, pois, de valor positivo a visão de um Espírito, se não existe certeza absoluta de que não se trata de uma autossugestão do sonâmbulo ou de uma transmissão de pensamento do operador. (Pág. 52)  (Continua no próximo número.)

Respostas às questões preliminares

A. Além de admitir a existência dos Espíritos, que fenômenos espíritas descreve G. Billot, doutor em Medicina, em obra publicada em 1839, muito antes do advento do Espiritismo?
O Dr. Billot menciona em seu livro alguns fenômenos de transporte de objetos. Num deles, ocorrido a 17 de outubro de 1820, diz o Dr. Billot que fora trazida à sessão uma planta que exalava delicioso perfume. Antes que o transporte se desse, a sonâmbula informou ter visto uma donzela apresentando-lhe aquela planta, que, segundo ela, seria útil no tratamento de uma senhora com amaurose presente à sessão. O Dr. Billot mostra ainda, em sua obra, que não lhe era estranho o conhecimento da tiptologia. (A Alma é Imortal, págs. 43 a 48.)
B. Que informações podemos encontrar na obra Fisiologia do Magnetismo, de Chardel, a respeito do passe e do êxtase?
Chardel diz na obra mencionada que a sonâmbula Lefrey explicou-lhe certa vez que lhe era possível ver muito bem o que saía do corpo do magnetizador quando este a magnetizava. “A cada passe que o senhor me dá – disse ela -, vejo sair-lhe das extremidades dos dedos como que pequenas colunas de uma poeira ígnea, que se vem incorporar em mim e, quando o senhor me isola, fico por assim dizer envolta numa atmosfera ardente, formada dessa mesma poeira ígnea.” Ela informou também ser-lhe possível ouvir ruídos produzidos ao longe e sons emitidos a cem léguas dali. Eis suas palavras textuais: “Não preciso que as coisas venham a mim; posso ir ter com elas, onde quer que estejam, e apreciá-las com muito maior exatidão, do que o poderia qualquer outra pessoa que não se encontre em estado análogo ao meu”. Uma outra sonâmbula costumava ter, à noite, uma espécie de êxtase, que explicava assim: “Entro, então, num estado semelhante ao em que o magnetizador me põe e, dilatando-se o meu corpo pouco a pouco, vejo-o muito distintamente longe de mim, imóvel e frio, como se estivesse morto. Quanto a mim, assemelho-me a um vapor luminoso e sinto-me a pensar separada do meu corpo. Nesse estado, compreendo e vejo muito mais coisas do que no sonambulismo, quando a faculdade de pensar se exerce sem que eu esteja separada dos meus órgãos. Mas, escoados alguns minutos, um quarto de hora, no máximo, o vapor luminoso de minha alma se aproxima cada vez mais do meu corpo, perco os sentidos, cessa o êxtase”. (Obra citada, págs. 49 e 50.)
C. Por que razão os sonâmbulos são dotados da faculdade de ver os Espíritos?
A respeito deste assunto, Delanne argumenta que, se as almas desencarnadas podem comunicar-se entre si, claro é que poderão manifestar-se aos sonâmbulos, quando estes se acharem mergulhados no sono magnético, ocasião em que - desprendida em parte do laço fisiológico - a alma se encontra num estado quase idêntico ao em que um dia se achará permanentemente. Eis aí, nesse desprendimento, a origem da faculdade de vidência. (Obra citada, págs. 50 a 52.)


Nota:
Eis os links que remetem aos textos anteriores:






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