sábado, 16 de dezembro de 2017

Contos e crônicas




Viva para a perfeição

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Sede perfeitos como vosso Pai que está nos Céus. — Jesus (Mateus, 5:48.)

O ser humano, neste tempo materialista, queda-se perplexo com as notícias do rádio, da televisão, da Internet, do Instagram, do WhatsApp... e, pasme, leitor amigo, até do jornal e da revista, assustado com o vazio deixado por uma alma que se perde. Neste mundo de sete bilhões de hóspedes temporários, questiona-se sobre a finalidade da vida, e muitos concluem que não vale a pena viver.
É o que os meios de comunicação supracitados trazem à tona. Ainda ontem, um militar acusado de praticar crimes de guerra, ao ouvir a sentença do juiz, condenando-o à morte, abriu pequeno frasco com veneno e sorveu-o todo. Paradoxalmente, fez isso sob os protestos do magistrado. Morreu no hospital, sob os cuidados da justiça...
Viver sem ter companhia parece ser insuportável... No entanto, várias criaturas vivem solitárias, cercadas de outras solidões, todas com seus celulares ligados a notícias instantâneas de tudo que acontece no mundo.
Atualmente, nas relações amorosas, sem mais mesuras, sem mais afagos de mãos, já se parte para “os finalmentes”, sucedidos do vazio no peito e na alma. O apelo ao erotismo está por toda parte, sem poupar os próprios infantes. Até o desespero invadir os corações sensíveis e o vazio da alma sugerir-lhes pôr fim ao corpo físico, por efeito das doenças materiais ou espirituais.
Durante nossa última pós-graduação na UnB, soubemos de casos de colegas que optaram pelo suicídio, ante o desafio psicológico de realizarem diversos estudos, pesquisas e participações em congressos, assoberbados por outros problemas, como doenças.
Também muitas pessoas matam-se, aos poucos, consumindo drogas e exaurindo-se em paixões animalizadas.
Quando se tenta esclarecê-las sobre as consequências de seus atos, após esta vida efêmera, negam-se a acreditar na existência post mortem.
Inúmeras criaturas exaurem-se nos vícios e paixões doentias. Até que, enfastiadas de tudo, resolvam também matar-se, vítimas de si mesmas, depois de terem feito outras vítimas.
Pura ilusão, pois o fim é apenas do corpo físico. Infelizmente, talvez, cerca de noventa por cento da humanidade ignore a existência do corpo espiritual, que Kardec denomina perispírito. E o que fazemos do nosso organismo físico afeta nosso órgão espiritual inevitavelmente.
Não é Deus, porém, que nos castiga.  Deus é Amor. Por amor e para o amor fomos criados. Somos nós próprios que, pelo mau uso do livre-arbítrio, sofremos as consequências físicas ou morais de nossos atos.
Nesta semana, fomos informados sobre o suicídio de duas jovens estudantes de medicina, com intervalo de poucos dias entre uma e outra morte. Imaginemos que ambas tenham optado por atirar-se de local alto contra o asfalto. Dependendo de como cada uma cair, seu perispírito sofrerá as consequências da lesão ao corpo físico. E o desespero do revel à Lei da Vida, ao se perceber vivo, mutilado e sofrido, é narrado de forma dramática pelos espíritos em várias obras mediúnicas. 
A misericórdia de Deus está sempre pronta a socorrer cada um de nós, segundo as circunstâncias atenuantes e agravantes de nossos atos. Mas, consoante relatos dos diversos espíritos suicidas, nada se compara aos seus horrores e desesperos, por pior que tenha sido sua vida antes do supremo ato de rebeldia e falta de fé na Providência Divina.
A médium Yvonne Pereira psicografou a narração do espírito Camilo Castelo Branco, grande romancista português, sobre os horrores sofridos por ele após seu suicídio.
Muitos outros relatos existem em diversas obras espíritas, mas sugiro ao leitor interessado no assunto a leitura da extraordinária obra psicografada por Yvonne, cujo título é Memórias de um Suicida, publicada pela Federação Espírita Brasileira.
Esta é a grande missão do Espiritismo: comprovar-nos, pelo relato dos chamados mortos, que a morte é pura mudança de estado vibratório do espírito. E Jesus já nos alertava sobre a excelência do amor como antídoto de todo o mal; mas amor derivado das atitudes morais elevadas.
Caso alguém não acredite na sobrevivência da alma após a morte e imagine que a morte do corpo implica o mergulho no nada, como encontrar forças para superar os apelos materialistas? Como encontrar um sentido para a vida?
Estudando o Espiritismo e praticando os ensinos morais dos espíritos elevados, que relembram as palavras de Jesus Cristo, substituída a letra que mata pelo espírito que vivifica, acharemos o propósito maior de nossas vidas: amar e servir, pois amando e servindo estaremos realizando a finalidade de nosso eterno existir: a perfeição espiritual.






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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas







Cristianismo e Espiritismo

Léon Denis

Parte 4

Continuamos o estudo do livro Cristianismo e Espiritismo, que vimos realizando conforme a 6ª edição publicada pela Federação Espírita Brasileira, baseada em tradução de Leopoldo Cirne.
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quem escreveu o “Livro do Pastor” e que contém essa obra?
B. Qual foi o verdadeiro motivo que levou a Igreja a condenar as práticas espíritas?
C. Quando surgiu no seio da Igreja o dogma da Trindade?

Texto para leitura

45. Essa visão não foi um caso isolado, porque em toda a sua vida Paulo entreteve assíduas relações com o invisível, inclusive com entidades inferiores que por vezes o atormentavam. (PP. 59 e 60)
46. João recomendou não acreditássemos em todo Espírito, mas primeiro procurar saber se ele vem de Deus. Hermas, discípulo dos apóstolos, que Paulo cita em sua epístola aos Romanos, indica em seu “Livro do Pastor” os meios de distinguir os bons dos maus Espíritos. Esse livro era lido nas igrejas até o século V. (PP. 60 e 61)
47. O imperador Constantino era dotado de faculdades mediúnicas. Uma tarde, marchando à frente das tropas, divisou no céu uma cruz luminosa com esta inscrição: “Com este sinal vencerás”. Durante o sono, o próprio Cristo lhe apareceu e ordenou que fizesse um estandarte de guerra, tendo por modelo aquela cruz. (PP. 63 e 64)
48. Santo Agostinho, o célebre bispo de Hipona, e S. Tomás de Aquino também tiveram frequentes relações com os Espíritos. (PP. 65 e 66)
49. A Igreja, pelo órgão dos concílios, entendeu dever condenar as práticas espíritas, quando passou a agir de forma despótica e autoritária. Foi por isso que os leigos que mantinham relações com os mortos foram perseguidos como feiticeiros e queimados. Ela quis ser a única a possuir o privilégio das comunicações e de sua interpretação. (P. 66)
50. O cardeal Bona, na Itália, escreveu um livro – “Da distinção dos Espíritos”– em que se estudam as diversas categorias de Espíritos que podem manifestar-se aos homens. Ele não previa os anátemas que os padres católicos iriam lançar mais tarde contra o Espiritismo, esquecidos de que as manifestações dos Espíritos são uma das bases do Cristianismo e que o movimento espírita é a reprodução do movimento cristão em sua origem. (PP. 66 e 67)
51. Os primeiros cristãos possuíam em sua correspondência com o mundo invisível abundante fonte de inspirações, e utilizavam-na abertamente. Mas as instruções dos Espíritos nem sempre estavam em harmonia com as opiniões do sacerdócio nascente, que encontrava nelas amparo e também críticas severas e mesmo condenação. (P. 68)
52. A ideia das vidas sucessivas, cuja sanção Orígenes e muitos padres encontravam nas Escrituras, não soava bem ao sacerdócio dominante, porque o homem, podendo resgatar-se a si próprio de suas faltas, não necessitava do padre. Tal pensamento, associado à comunicação com os Espíritos, minava o poder da Igreja. (PP. 68 a 70)
53. O dogma da Trindade, que prega um só Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito-Santo, colhida numa lenda hindu, veio obscurecer e desnaturar a ideia de Deus. (P. 72)
54. Essa concepção trinitária oferecia, no entanto, grande vantagem às pretensões da Igreja, porque conferia a Jesus, que ela chama seu fundador, uma autoridade e um prestígio que se estendiam à própria Igreja. (P. 73)
55. A divindade de Jesus provocou discussões durante três séculos e, embora rejeitada por três concílios, foi em 325 proclamada pelo de Niceia, nestes termos: “A Igreja de Deus, católica e apostólica, anatematiza os que dizem que houve um tempo em que o Filho não existia, ou que não existia antes de haver sido gerado”. (P. 73) (Continua na próxima edição.)

Respostas às questões preliminares

   A. Quem escreveu o “Livro do Pastor” e que contém essa obra?
Foi Hermas, discípulo dos apóstolos, citado por Paulo em sua epístola aos Romanos, quem escreveu o “Livro do Pastor”, que indica os meios de distinguir os bons dos maus Espíritos. (Cristianismo e Espiritismo, cap. V, pp. 60 e 61.)
B. Qual foi o verdadeiro motivo que levou a Igreja a condenar as práticas espíritas?
Dois foram os principais motivos. O primeiro: a pretensão de, em interditando as comunicações, ser ela a única a possuir o privilégio das comunicações e de sua interpretação. O segundo: manter sob controle as instruções emanadas dos Espíritos, as quais nem sempre estavam em harmonia com as opiniões do sacerdócio nascente, que encontrava nelas amparo mas também críticas severas e mesmo condenação. (Obra citada, cap. V, pp. 64 a 68.)
C. Quando surgiu no seio da Igreja o dogma da Trindade?
O dogma da Trindade, que prega um só Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito-Santo, depois de rejeitado por três concílios, foi proclamado em 325 no Concílio de Niceia. (Obra citada, cap. VI, pp. 72 e 73.)

Nota:
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita






Formação dos mundos e
dos seres vivos

Este é o módulo 58 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. De que são formados os órgãos dos seres vivos?
2. Como se formam os compostos minerais? E os compostos orgânicos?
3. Que são germens?
4. Como apareceram os seres vivos na Terra?
5. Que ensina o Espiritismo a respeito da formação dos mundos?

Texto para leitura

A estrutura dos seres vivos não é simples como a dos minerais
1. Nos mundos como a Terra, ao lado dos corpos materiais que formam o substrato permanente do solo ou crosta terrestre, das águas dos mares e dos gases da sua atmosfera, há seres que apresentam um ciclo de existência, isto é, nascem, crescem, desenvolvem-se e reproduzem-se, definham e morrem. São os seres vivos – os vegetais e os animais. Nos seus corpos não há a estrutura simples e relativamente homogênea de um mineral, mas a heterogeneidade de uma organização completa, órgãos que se associam em sistemas e aparelhos, com vistas à realização das complexíssimas funções vitais.
2. Os órgãos dos seres vivos são formados por tecidos específicos que, por sua vez, resultam da associação de pequeninas células. Caracterizam-se, assim, os seres vivos, por sua organização celular, havendo-os também unicelulares, ou seja, formados por uma única célula. Esta é a unidade vital em que se realizam, por intermédio de orgânulos ou corpúsculos celulares, todas as funções que caracterizam o ciclo da vida, desde o nascimento até a morte. A formação dos seres vivos obedece às mesmas leis químicas que regulam a formação das substâncias minerais, o que significa que as substâncias orgânicas que entram na constituição dos corpos vegetais e animais são constituídas pelos mesmos princípios ou elementos químicos e obedecem, na sua formação, às mesmas leis que regem a constituição das substâncias inorgânicas.
3. É sabido como se formam os compostos minerais: os elementos se combinam obedecendo, em primeiro lugar, às afinidades existentes entre eles e decorrentes das estruturas específicas de seus átomos, e, em segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as quais sobrelevam a da conservação das massas (de Lavoisier) e a das proporções definidas (de Proust).
4. Quando em dadas condições os elementos se combinam para formar um determinado composto, as massas que se combinam guardam entre si e com a massa do produto da reação relações constantes. Por exemplo: o hidrogênio e o oxigênio apresentam grande afinidade química e, em condições apropriadas, se combinam para formar água. Ao combinar-se, suas massas guardam entre si uma relação invariável que, expressa pelos menores números inteiros, é de 1 para 8. Poderíamos multiplicar os exemplos com as combinações binárias do oxigênio com os metais, de que resultam os óxidos metálicos, do flúor, do cloro, do bromo, do iodo, formando fluoretos, cloretos, brometos e iodetos etc.

Os seres vivos procedem sempre de um gérmen
5. O que se quer ressaltar é que os compostos orgânicos se formam a partir dos mesmos elementos químicos que entram na composição dos compostos inorgânicos ou minerais e obedecem às mesmas leis de conservação e proporcionalidade. Os compostos orgânicos apresentam somente a particularidade de terem todos eles como elemento primordial o carbono, vindo depois, em importância, o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio [1] e, em seguida, o enxofre, o fósforo, o ferro e muitos outros elementos.
6. Dizendo, porém, que os compostos orgânicos se constituem dos mesmos princípios elementares e obedecem às mesmas leis, referimo-nos a eles considerados em si mesmos, isoladamente, ou tão somente como substâncias individuais e específicas, não como participantes dos conjuntos biológicos, nas células, nos tecidos, nos órgãos e nos organismos vegetais e animais, porque aí essas substâncias aparecem conjugadas numa integração funcional para constituírem uma unidade viva, fato que reclama, evidentemente, uma força integradora, inerente a uma substância sutil que se chama princípio vital. É este princípio que comunica aos vegetais e aos animais a vida orgânica, possibilitando-lhes o exercício de todas as funções vitais.
7. O ser vivo, contudo, nunca se mostra desde o início de sua existência como o conhecemos no indivíduo adulto. Vegetal ou animal, procede sempre de um gérmen. Os germens são sistemas orgânicos minúsculos em que potencialidades funcionais se encontram em estado latente, à espera de condições propícias de calor, umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem, determinando o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de modo que surja do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo.
8. Foi a partir desses germens que a vida apareceu na Terra. No começo, quando tudo era ainda caos, os elementos se mantinham separados, em sutilíssimos estados de fluidez e disseminados na imensidão do espaço. Pouco a pouco foram cessando as causas que os mantinham afastados e eles se foram combinando, obedecendo às recíprocas afinidades, de acordo com as condições que iam surgindo e conforme às leis das combinações químicas. Formaram-se, assim, todas as modalidades de matéria e até mesmo a matéria dos germens das diversas espécies animais e vegetais. Só que neles a vida permanecia ainda latente, como se dá com as sementes e as crisálidas, que permanecem inertes até que condições propícias lhes proporcionem fluido vital que lhes comunique o movimento da vida.

Nada existiria no Universo, não fosse a Vontade Divina
9. Uma vez formados a partir dos seus germens, os seres vivos traziam em si mesmos, absorvidos, os elementos que poderiam servir para a própria formação e passaram a transmiti-los, segundo as leis da reprodução. A espécie humana terá do mesmo modo surgido na Terra, que lhe conteria na atmosfera ou na própria crosta os germens, como se pode deduzir das respostas dadas pelos Espíritos Superiores a Kardec, nas questões 44, 47 e 49 d’ O Livro dos Espíritos.
10. Sabemos, pela revelação dos Espíritos superiores, que Deus, ao criar a matéria primitiva, estabeleceu leis para reger suas transformações. Essas leis são, em verdade, meras diversificações de uma lei maior que a todas abrange e resume. Tudo no Universo é atração e magnetismo. A gravitação universal governa os movimentos dos mundos, mantendo-os em suas órbitas, como a gravidade condiciona o peso dos corpos, inexoravelmente atraindo-os para o centro da Terra. A força de coesão atrai as moléculas [2] das substâncias, mantendo-as solidariamente unidas para formar as massas dos corpos, e a lei de afinidade química preside à atração entre os átomos dos diferentes elementos, mantendo-os ligados, combinados nos compostos químicos.
11. Nada existiria, contudo, nem o cosmo, nem as forças cósmicas, não fosse a Vontade Divina, por cuja ação soberana tudo em realidade se criou. O começo absoluto das coisas, diz Galileu (Espírito), remonta, assim, a Deus. As sucessivas aparições delas no domínio da existência constitui a ordem da criação perpétua. Nada mais podemos avançar, senão que a matéria cósmica é a fonte de onde Deus, pelo seu pensamento e vontade, faz surgirem os mundos e os seres. A matéria cósmica primitiva continha e contém todos os elementos materiais, fluídicos e vitais de todos os mundos que se formaram e continuam a formar-se, pois a criação prossegue sempre.
12. Kardec perguntou aos Espíritos Superiores: “Poderemos conhecer o modo de formação dos mundos?” e eles responderam: “Tudo o que a esse respeito se pode dizer e podeis compreender é que os mundos se formaram pela condensação da matéria disseminada no espaço”. O codificador da doutrina espírita perguntou também se os mundos, uma vez formados, podem desaparecer, disseminando-se no espaço a matéria que os compõe, e eles informaram: “Sim, Deus renova os mundos como renova os seres vivos”. Deduz-se disso que os mundos têm seus ciclos de formação, de evolução – para que se tornem moradas apropriadas aos seres que os deverão habitar – e de desaparecimento, quando a matéria condensada que os forma se desagregará, voltando novamente ao estado fluídico e retornando, portanto, à fonte primitiva de onde saíram.

[1] No passado, como na época da codificação do Espiritismo, utilizava-se o vocábulo azoto em vez de nitrogênio, para designar esse elemento químico. O vocábulo azoto não é, porém, utilizado modernamente.
[2] Dá-se o nome de molécula ao grupamento estável de dois ou mais átomos, o que caracteriza quimicamente uma certa substância.

Respostas às questões propostas

1. De que são formados os órgãos dos seres vivos?
Os órgãos dos seres vivos são formados por tecidos específicos que, por sua vez, resultam da associação de pequeninas células. Caracterizam-se, assim, os seres vivos, por sua organização celular, havendo-os também unicelulares, ou seja, formados por uma única célula. Esta é a unidade vital em que se realizam, por intermédio de orgânulos ou corpúsculos celulares, todas as funções que caracterizam o ciclo da vida, desde o nascimento até a morte. A formação dos seres vivos obedece às mesmas leis químicas que regulam a formação das substâncias minerais, o que significa que as substâncias orgânicas que entram na constituição dos corpos vegetais e animais são constituídas pelos mesmos princípios ou elementos químicos e obedecem, na sua formação, às mesmas leis que regem a constituição das substâncias inorgânicas.
2. Como se formam os compostos minerais? E os compostos orgânicos? 
É sabido como se formam os compostos minerais: os elementos se combinam obedecendo, em primeiro lugar, às afinidades existentes entre eles e decorrentes das estruturas específicas de seus átomos e, em segundo lugar, às leis das combinações químicas, entre as quais sobrelevam a da conservação das massas (de Lavoisier) e a das proporções definidas (de Proust). Os compostos orgânicos se formam a partir dos mesmos elementos químicos que entram na composição dos compostos inorgânicos ou minerais e obedecem às mesmas leis de conservação e proporcionalidade. Os compostos orgânicos apresentam somente a particularidade de terem todos eles como elemento primordial o carbono, vindo depois, em importância, o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio e, em seguida, o enxofre, o fósforo, o ferro e outros elementos.
3. Que são germens?
Seja vegetal ou animal, o ser vivo procede sempre de um gérmen. Os germens são sistemas orgânicos minúsculos em que potencialidades funcionais se encontram em estado latente, à espera de condições propícias de calor, umidade, meio nutritivo apropriado, para eclodirem, determinando o crescimento, o desenvolvimento e a multiplicação celular, de modo que surja do gérmen o embrião, e do embrião o ser completo.
4. Como apareceram os seres vivos na Terra?
A vida apareceu na Terra com o surgimento dos germens. No começo, quando tudo era ainda caos, os elementos se mantinham separados, em sutilíssimos estados de fluidez e disseminados na imensidão do espaço. Pouco a pouco foram cessando as causas que os mantinham afastados e eles se foram combinando, obedecendo às recíprocas afinidades, de acordo com as condições que iam surgindo e conforme às leis das combinações químicas. Formaram-se, assim, todas as modalidades de matéria e até mesmo a matéria dos germens das diversas espécies animais e vegetais. Só que neles a vida permanecia ainda latente, como se dá com as sementes e as crisálidas, que permanecem inertes até que condições propícias lhes proporcionem fluido vital que lhes comunique o movimento da vida. Uma vez formados a partir dos seus germens, os seres vivos traziam em si mesmos, absorvidos, os elementos que poderiam servir para a própria formação e passaram a transmiti-los, segundo as leis da reprodução. A espécie humana terá do mesmo modo surgido na Terra, que lhe conteria na atmosfera ou na própria crosta os germens, como se pode deduzir das respostas dadas pelos Espíritos Superiores a Kardec, nas questões 44, 47 e 49 d’ O Livro dos Espíritos.
5. Que ensina o Espiritismo a respeito da formação dos mundos?
Tudo o que a esse respeito se pode dizer, segundo os ensinos espíritas, é que os mundos se formaram pela condensação da matéria disseminada no espaço e que Deus os renova, como renova os seres vivos, o que nos permite deduzir que os mundos têm seus ciclos de formação, de evolução e de desaparecimento.


Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 38, 39, 41, 44, 47 e 49.   
A Gênese, de Allan Kardec, itens 4, 6, 7, 10, 17, 20 e 22.

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:



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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Pílulas gramaticais (287)







Uma das dificuldades de quem fala ou escreve é a chamada colocação dos pronomes oblíquos átonos, mais conhecida como colocação pronominal.
Lembremos inicialmente que os pronomes oblíquos átonos são estes: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, se, os, as, lhes.
Tais pronomes podem ocupar, com relação ao verbo, três posições, a saber:
1ª - antes do verbo – fato chamado de próclise;
2ª - no meio do verbo – circunstância chamada de mesóclise;
3ª - depois do verbo – o que é chamado de ênclise.
Exemplos:
- Esse negócio não me interessa. (Próclise)
- Esse negócio interessa-me, sim. (Ênclise)
- Esse negócio, anos atrás, interessar-me-ia. (Mesóclise)
Começaremos pela próclise a rememoração das normas aplicáveis à colocação nominal.
Próclise designa, em estudos da linguagem, o fenômeno fonético de anteposição duma palavra átona a outra não átona, subordinando-se a primeira ao acento da segunda. O que rege o fenômeno é, em primeiro lugar, a eufonia, ou seja, a harmonia, a elegância, a suavidade na pronúncia.
Há tipos de frases em que, atendendo à eufonia, fica melhor a próclise.
Eis três casos:
- frases exclamativas. (Como te saíste bem na palestra!)
- frases interrogativas. (Quem se oferece para a prece?)
- frases optativas, se o sujeito vier antes do verbo. (Deus nos ampare!)
É, contudo, preciso verificar se não existem na frase as chamadas partículas atrativas precedendo o verbo, porque se convencionou, no tocante ao idioma português, que a próclise se impõe quando o verbo vem precedido das seguintes partículas atrativas:
- expressões ou palavras negativas. (Não se lamente, irmão.)
- advérbios. (Agora se recusa a falar.)
- pronomes relativos. (Está aqui o homem que se diz pintor.)
- pronomes indefinidos. (Poucos se dispõem a estudar.)
- pronomes demonstrativos. (Disso me acusaram, mas terminou tudo bem.)
- conjunções subordinativas. (Saímos porque nos ordenaram.)
Os especialistas em nosso idioma entendem, também, que existem duas formas verbais em que a próclise é de lei:
- quando o infinitivo pessoal vier precedido de preposição. (Por se acharem de acordo, os sócios assinaram o contrato.)
- quando o gerúndio estiver precedido de preposição ou de negação. (Em se calando o réu, a audiência foi interrompida. Não se deixando iludir, a jovem foi à luta.)
Gerúndio [do latim tardio gerundiu] é o nome que se dá à forma nominal do verbo, formada, em português, pelo sufixo -ndo: comendo, falando, deixando, calando etc. 



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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Contos e crônicas





Como as crianças e os povos antigos

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

De maneira rara, algo é feito exclusivamente por única pessoa, há sempre uma matéria-prima cuidada por alguém e antes outras pessoas cooperaram para que um produto chegasse à sua confecção. Um exemplo tão belo é o do pão. Para esse nobre alimento chegar à nossa mesa, houve várias fases e muitas mãos diferentes. A sociedade, em sua primeira e mais importante definição, significa agrupamento de seres que convivem em colaboração mútua. E a vida torna-se melhor quando a cooperação é realizada e também recebida, pois ninguém conhece tanto a ponto de não ter o que mais aprender e ninguém nada conhece a ponto de não poder ensinar. 
Pequeninas ações exemplificam esse ensinamento. Quantas vezes um amparo no braço evitou um tombo, ou uma palavra amorosa consolou o coração, uma atenção amenizou a dor, um prato de comida matou a fome, um olhar de compaixão e carinho evitou uma trágica passagem, uma explicação clareou o caminho, um favor trouxe a alegria de volta, um compartilhamento iluminou o triste olhar, um simples afago anulou a amargura, uma prece amparou o desamparado. Quantas incontáveis atitudes trazem luz para a escuridão que nos apavora. Ainda como a prece feita por muitos corações que potencializa e agiliza a vibração e com maior energia atinge o seu nobre objetivo.
Os povos antigos já viviam em cooperação, pois compreendiam que um só elemento não consolidará nenhuma grande realização, esses povos se davam as mãos para que houvesse crescimento. Muito do que era feito antigamente deveria voltar, pois a humanidade deixou um pouco de lado os grandes valores como o sentimento mais humanizado e consolador, já que grandes valores serão em todo o tempo. O espírito necessita do alimento próprio para seu restabelecimento, manutenção e progresso. Mais do que é real e bem menos do que é supérfluo, materialmente humano.
E se é tão visível a necessidade de que os povos voltem a dar-se as mãos, é tão natural que nossos braços estejam estendidos para que as mãos possam alcançar-se. Quando se observa com certa atenção o que move hoje o andamento do Planeta, entre os países, é muito difícil de aceitar, pois se verifica bem mais egoísmo que há desde milênios, a cooperação. E mais difícil ainda é quando recordamos a frase do Mestre, Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei, pois se somos irmãos deveríamos ajudar-nos à conquista coletiva do progresso. 
No entanto, como tudo tende a encontrar a luz, também a nossa fraca fé há de fortalecer-se, o nosso cego egoísmo há de reduzir-se para que a cooperação possa cirandar-se e, como as mais puras crianças brincando no quintal, voltemos a sorrir com simplicidade e olhos brilhantes porque as crianças e os povos antigos possuem a sabedoria de estarem em grupos e, assim, desenvolverem-se saudavelmente.
O pronome nós é mais resistente e destemido que o frágil e solitário eu. A terra preparada por várias mãos é também uma terra que recebe mais atenção e calor e o seu preparo em menos tempo faz com que as sementes cresçam mais rápido para alimentar os famintos filhos. E como o grande exemplo das crianças e dos antigos povos, sejam hoje as mãos dadas, a cooperação e o amor as sementes lançadas no terreno para a colheita de um aperfeiçoamento mais feliz para os espíritos deste plano a caminho da eternidade.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/



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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

As mais lindas canções que ouvi (272)







Feitio de paixão

Paulinho Carvalho e Paulo Onça

Queria o prazer do amor,
Assim desejando estou.
Só vou sossegar
Quando te conquistar.
Botar todas cartas vou
Na mesa pra decidir.
Quem sabe lutando vou conseguir...

Sem conseguir, joguei búzios para tê-la sem favor.
Sem conseguir, fiz feitiço para ganhar o teu amor.
Sem conseguir, tomei banho de arruda pra fluir
Do corpo todo mal sem conseguir.

Sem subornar teu coração, com feitio de paixão,
Farei tudo pra ganhar tua confiança,
Com a esperança de aprendiz,
Juro que vou te fazer feliz...



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifraclub.com.br/jorge-aragao/feitio-de-paixao/


Você pode ouvir a canção acima clicando nos links abaixo:
Jorge Aragão:
Márcia Siqueira, Cinara Nery e Fátima Silva: 
Lucilene Castro:



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