quinta-feira, 20 de julho de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita




A importância da vida em sociedade

Este é o módulo 37 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Por que é necessário ao homem viver em sociedade?
2. O isolamento do homem, com o objetivo de crescer espiritualmente, é atitude correta?
3. Quais as principais características de uma vivência cristã legítima?
4. Que pensar dos que se afastam do bulício citadino, para se dedicarem ao socorro dos desgraçados?
5. Tendo por modelo o exemplo de Jesus, que desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições para nos ajudar, como devem agir no mundo os que se dizem cristãos?

Texto para leitura

Deus não fez a ninguém perfeito, mas perfectível
1. “O homem é um animal social”, já o disse, com acerto, famoso pensador da Antiguidade, querendo com isso asseverar que o ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a Humanidade, a que o homem não se pode esquivar sem prejudicar-se, pois é por meio do relacionamento com os semelhantes que ele desenvolve suas potencialidades.
2. O insulamento priva o homem das relações sociais que lhe garantem o progresso. A razão disso é que Deus, em seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, mas perfectíveis. Por isso, para atingirmos a perfeição a que estamos destinados, precisamos todos uns dos outros, pois não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, na permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem os quais a sorte de nosso Espírito seria o embrutecimento e a estagnação.
3. Como o fim supremo da sociedade é a promoção do bem-estar e da felicidade de todos os que a compõem, para que isso seja alcançado há necessidade de que cada um de nós observe certas regras de procedimento ditadas pela justiça e pela moral, abstendo-se de tudo que as possa destruir.

O insulamento do homem é uma violência à lei natural
4. Homem nenhum possui faculdades completas. Com a união social elas se completam umas às outras. É essa a principal causa que determina que os homens, necessitando uns dos outros, vivam em sociedade e não insulados.
5. Em que pese o fato de ser o homem, inquestionavelmente, um ser gregário, houve quem pretendesse isolá-lo do mundo com o pensamento de que, assim fazendo, poderia ele melhor servir a Deus. Esse isolamento constitui, no entanto, uma violência à lei natural e se caracteriza por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia a dia.
6. A vivência cristã implica um clima de convivência social em regime de fraternidade, em que todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e problemas. Viver o Cristo é conviver com o próximo, aceitando-o tal qual é, com seus defeitos e imperfeições, sem a pretensão de corrigi-lo. O verdadeiro cristão inspira seu semelhante com bondade para que ele mesmo desperte e mude de conduta de moto próprio.
7. Isolar-se a pretexto de crescer espiritualmente não passa, pois, de uma experiência em que o egoísmo predomina, porque afasta o indivíduo da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade. Segundo o Espiritismo, tal procedimento só merece reprovação, visto que não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem deliberadamente se condena a não ser útil a ninguém.

Os que se isolam para ajudar o próximo têm duplo mérito
8. Já aqueles que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranquilidade reclamada por certas ocupações, como os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, embora afastados da convivência social eles prestam, obviamente, excelentes serviços à sociedade e adquirem duplo mérito, porque têm a seu favor, além da renúncia às satisfações mundanas, a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.
9. Lembra-nos Joanna de Ângelis que, ao descer das Regiões Felizes ao vale das aflições, para nos ajudar, Jesus mostrou-nos como devem agir os que se dizem cristãos. O Mestre não convocou a si os privilegiados, mas os infelizes, os rebeldes, os rejeitados, suportando suas mazelas e, mesmo assim, amando-os.
10. Evocando o exemplo do Cristo, a mentora de Divaldo P. Franco recomenda (Leis Morais da Vida, cap. 31):

“Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos que tu mesmo.
Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha.
Nada esperes dos outros.
Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende.
Se eles te enganam ou te traem, se te censuram ou te exigem o que te não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões.
Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.”

Respostas às questões propostas

1. Por que é necessário ao homem viver em sociedade?
“O homem é um animal social”, já o disse, com acerto, famoso pensador da Antiguidade, querendo com isso asseverar que o ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo da lei do progresso que rege a Humanidade, a que o homem não se pode esquivar sem prejudicar-se, pois é por meio do relacionamento com os semelhantes que ele desenvolve suas potencialidades.
2. O isolamento do homem, com o objetivo de crescer espiritualmente, é atitude correta?
Não. Em que pese o fato de ser o homem, inquestionavelmente, um ser gregário, houve quem pretendesse isolá-lo do mundo com o pensamento de que, assim fazendo, poderia ele melhor servir a Deus. Esse isolamento constitui, no entanto, uma violência à lei natural e se caracteriza por uma fuga injustificável às responsabilidades do dia a dia. Isolar-se a pretexto de crescer espiritualmente não passa de uma experiência em que o egoísmo predomina, porque afasta o indivíduo da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade.
3. Quais as principais características de uma vivência cristã legítima?
A vivência cristã implica um clima de convivência social em regime de fraternidade, em que todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e problemas. Viver o Cristo é conviver com o próximo, aceitando-o tal qual é, com seus defeitos e imperfeições, sem a pretensão de corrigi-lo. O verdadeiro cristão inspira seu semelhante com bondade para que ele mesmo desperte e mude de conduta de moto próprio.
4. Que pensar dos que se afastam do bulício citadino, para se dedicarem ao socorro dos desgraçados?
Os que se afastam do bulício citadino, buscando no retiro a tranquilidade reclamada por certas ocupações, como os que se recolhem a determinadas instituições fechadas para se dedicarem, amorosamente, ao socorro dos desgraçados, prestam, obviamente, excelentes serviços à sociedade e adquirem duplo mérito, porque têm a seu favor, além da renúncia às satisfações mundanas, a prática das leis do trabalho e da caridade cristã.
5. Tendo por modelo o exemplo de Jesus, que desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições para nos ajudar, como devem agir no mundo os que se dizem cristãos?
Lembra-nos Joanna de Ângelis que, ao descer das Regiões Felizes ao vale das aflições, para nos ajudar, Jesus mostrou-nos como devem agir os que se dizem cristãos. O Mestre não convocou a si os privilegiados, mas os infelizes, os rebeldes, os rejeitados, suportando suas mazelas e, mesmo assim, amando-os. Evocando o exemplo do Cristo, a mentora de Divaldo P. Franco recomenda: “Atesta a tua confiança no Senhor e a excelência da tua fé mediante a convivência com os irmãos mais inditosos que tu mesmo. Sê-lhes a lâmpada acesa a clarificar-lhes a marcha. Nada esperes dos outros. Sê tu quem ajuda, desculpa, compreende. Se eles te enganam ou te traem, se te censuram ou te exigem o que te não dão, ama-os mais, sofre-os mais, porquanto são mais carecentes de socorro e amor do que supões. Se conseguires conviver pacificamente com os amigos difíceis e fazê-los companheiros, terás logrado êxito, porquanto Jesus em teu coração estará sempre refletido no trato, no intercâmbio social com os que te buscam e com os quais ascendes na direção de Deus.”

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:






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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Pílulas gramaticais (266)



Há uma palavra francesa muito usada na conversação social e também em jornais e revistas: gourmet.
Alguém nos pergunta se gourmet é o mesmo que gourmand, outra palavra francesa de uso bem mais restrito.
A resposta é não, pois os significados delas são diferentes.
Gourmet, substantivo masculino, diz-se do indivíduo apreciador e conhecedor de iguarias finas. Exemplo: Na região em que nasci, Dr. Alberto, além de médico, era o único gourmet autêntico que havia.
Gourmand, também substantivo masculino, designa o indivíduo guloso, aquele que é dado às comidas apetitosas. Exemplo: Gilberto, apesar de obeso, continua sendo o mesmo gourmand de antes.

*

Heureca ou eureca?
Como se escreve a conhecida interjeição, que significa: Achei, encontrei?
Heureca nos veio do grego heúreka, pretérito perfeito do verbo heurískein – achar, descobrir. Ela se emprega quando a pessoa encontra a solução de um problema difícil.
Existe, contudo, de acordo com o Dicionário Aurélio, a forma eureca, que tem o mesmo significado. Portanto, ambas as palavras são corretas.



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terça-feira, 18 de julho de 2017

Contos e crônicas



O amor

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

O que é o amor?
Para mim, a maior energia da vida.
O amor é incomparável já que é a maior energia. Ele cura o que está enfermo, fortalece o que se equilibrou, acalma o que se atordoou, une o que se separou, traz luz e coragem, compreende e aceita, compartilha e ampara, dignifica, esclarece, guia pelo nobre caminho, age com paciência, assimila, faz brotar a bondade e colocar-se no lugar do próximo, abraça fraternalmente todos os olhos de traços diferentes, coloca com naturalidade no coração o desejo de melhora e o maior de tudo, aproxima a criatura do seu Criador.
Decerto, não haveria a vida se junto dela não houvesse o amor. Por causa deste é que todo progresso ocorre e a humanidade, aos poucos, se capacita. A criatura que não sente o amor é triste e enfraquecida, incapaz de doar o que não há em si, sofre profundamente a maior dor, ausência da maior energia. Nada é capaz de criar ou desenvolver, pois só o amor propulsiona o crescimento, descoberta, conquista, felicidade.
E essa sublime energia se dá por infinitas formas. Todo acontecimento, palavra, sentimento que traz leveza, delicadeza, conforto, paz e qualquer tipo de bem-estar, sem dúvida, o condutor é o amor. Algo tão notável é que à proporção que se conhece o amor não se consegue mais deixá-lo. E à medida que se sente este bálsamo não é mais possível viver sem, pois o coração o ama profundamente. Coração e amor, espírito e amor, vida e amor.
Não há distância nem tempo que poderão comprometer essa energia que transcende, eterniza e faz renascer a luz onde se encontrava a escuridão. As flores só são flores porque foram criadas com amor como tudo de maravilhoso que há; as tristes ou más coisas existem porque o amor está ausente por enquanto. Quando algo ainda está negativo é simplesmente pela razão de que seu benéfico oposto, por algum motivo, não pôde se apresentar ou não se edificou, no entanto, tudo está fadado ao amor e à felicidade não importa quanto tempo levará.
E diante de todo difícil momento, a nobre energia se encarregará de amenizar e de criar condição para a luz seguir adiante. O amor olha para a vida e vê somente possibilidades positivas, pois sua sabedoria compreende que para as conquistas o aprendizado, o esforço e o trabalho serão operantes de diversas maneiras. E o amor se encontra no olhar que sorri e no olhar que deseja o sorriso, na mão que se estende e na mão que a recebe.
Uma das mais nobres atitudes é desenvolver o amor e cultivá-lo, na verdade, não há maior sabedoria do que amar. E se o desejo é progredir, mesmo implicitamente, a essência do amor é a que deve perfumar como os campos de lavanda perfumam um enorme raio de distância. E a natureza continuamente ensina.
Caso os nossos olhos e sentimento ainda não perceberam a maior energia da vida, basta que observem um minutinho o próprio corpo. Eles perceberão que a máquina humana é perfeita e cada célula realiza o trabalho que lhe cabe e as milhares juntas mantêm o corpo humano, abrigo do espírito em cada encarnação, com a condição de a eterna essência alcançar o progresso.
E nesse mesmo instante, se a percepção humana atentar-se um pouquinho ao redor reconhecerá o amor em tantos universos que formam o Universo. Como as flores na primavera anunciando o início do ciclo de uma vida nova. Como a alegria de estar com quem se ama sem precisar dizer nenhuma palavra apenas estar próximo. Como as fantásticas fauna e flora; como a água límpida correndo no rio; como a proeza alcançada; como as possibilidades do horizonte; como o ar, a água, a terra, o fogo; como a comida que alimenta e a água que mata a sede; como o amanhecer e o anoitecer, o começo e a conclusão; como a doçura e a paz, o bem e a luz; como a bondade de Deus em nos criar.
Em todas as atitudes e realizações benfazejas, o amor é evidente.
Nas que ainda são mais difíceis, o amor por enquanto está um pouquinho adormecido, porém, latente.
E a maior energia abarcará todos os lugares a seu tempo, já que a vida, de fato, só existe porque junto dela está a eternidade do amor.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 17 de julho de 2017

As mais lindas canções que ouvi (251)



A Fonte

Celso Santos

De que lado sopra
O vento do entender?
De que lado vem?
De onde vêm as lágrimas
Que brilham luz?
De onde vêm
E quem as conduz?

Pra que lado parte
O amor a caminhar?
Por onde andará?
De onde vem a força
Que nos faz crescer?
Que fonte é essa
E onde estará?

Que nos leva a olhar
O que antes os olhos
Não queriam ver...
De que lado sopra
O vento do entender?
De que lado vem?
De onde vêm as lágrimas
Que brilham luz?
De onde vêm
E quem as conduz?

Pra que lado parte
O amor a caminhar?
Por onde andará?
De onde vem a força
Que nos faz crescer?
Que fonte é essa
E onde estará?

Que nos leva a olhar
O que antes os olhos
Não queriam ver
Para aprender a amar
Amar...



As cifras desta música você encontra em: https://www.cifraclub.com.br/vozes-eternas/a-fonte/



Você pode ouvir a canção acima clicando no link indicado:
Grupo Vozes Eternas:




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domingo, 16 de julho de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo



Crianças obsidiadas: que fazer?

Pode uma criança ser objeto de obsessão por parte de um familiar desencarnado?
Sim. Na Revista Espírita de janeiro de 1865, Allan Kardec relata um caso desses. Referimo-nos à obsessão sofrida por Valentine Laurent, uma jovem de 13 anos à época, que residia em Marmande (França).
Valentine experimentava convulsões diárias e ficava, às vezes, tão violenta que era preciso amarrá-la ao leito, providência que exigia o concurso de várias pessoas. Exorcismos, missas, passes – nada disso resolveu o problema.
Levado o caso ao Sr. Dombre, dirigente de um grupo espírita radicado na mesma cidade, ele inicialmente utilizou os passes. Com a insuficiência deles, resolveu evocar a entidade que perturbava a jovem e descobriu, então, que se tratava de uma das avós de Valentine.
Teve início, então, a doutrinação, que se realizou no período de 16 a 24 de setembro de 1864. A entidade afastou-se; deu-se depois a recaída, mas depois disso, com a colaboração da jovem obsidiada, o tratamento teve um final feliz.
Ao relatar na Revista Espírita a experiência da jovem Valentine Laurent, Kardec fez as seguintes observações:
1ª. O caso demonstrou a insuficiência do tratamento magnético.
2ª. Era preciso, e é preciso em casos assim, remover-se a causa.
3ª. Para removê-la é necessário o que chamamos de doutrinação do Espírito obsessor.
Foi necessário, no entanto, o concurso da própria jovem que, orientada pelos Espíritos, decidiu mudar de conduta em face da vida, fato que contribuiu para que sua avó desencarnada, a entidade obsessora, acolhesse os esclarecimentos recebidos durante a chamada doutrinação.
Quando a obsessão envolve crianças, muitas pessoas não conseguem entender por que a Providência Divina permite que fatos assim ocorram.
Manoel Philomeno de Miranda já tratou do tema em duas conhecidas obras, psicografadas pelo médium Divaldo Franco.
No livro Sexo e Obsessão, no capítulo intitulado “O drama da obsessão na infância”, respondendo a uma pergunta sobre o assunto, o mentor Anacleto esclareceu que muitos processos de obsessão têm seu início fora do corpo físico, quando os calcetas e rebeldes, os criminosos e viciados reencontram suas vítimas no além-túmulo, os quais se lhes imantam nos tentames infelizes e de resultados graves em diversas formas de obsessões.
A obsessão na infância – disse ele – “muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa influência perniciosa acompanha o período infantil de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores, e na vida social saudável entre coleguinhas”.
Anteriormente, no livro Trilhas da Libertação, no capítulo intitulado “Ampliando os conhecimentos”, Manoel P. de Miranda consignou os esclarecimentos dados pelo dr. Carneiro de Campos (Espírito) acerca do tratamento que deve ser dispensado à criança obsidiada.
Inicialmente, o benfeitor espiritual lembrou que a obsessão na infância possui um caráter expiatório como efeito de ações danosas de curso mais grave. “Não obstante – esclareceu ele –, os recursos terapêuticos ministrados ao adulto serão aplicados ao enfermo infantil com mais intensa contribuição dos passes e da água fluidificada – bioenergia – bem como proteção amorosa e paciente, usando-se a oração e a doutrinação indireta ao agente agressor – psicoterapia –, por fim, através do atendimento desobsessivo mediante o concurso psicofônico, quando seja possível atrair o hóspede à comunicação mediúnica de conversação direta”.
E acrescentou: “A visão do Espiritismo em relação à criança obsidiada é holística, pois que não a dissocia, na sua forma atual, do adulto de ontem quando contraiu o débito. Ensina que infantil é somente o corpo, já que o Espírito possui uma diferente idade cronológica, nada correspondente à da matéria. Além disso, propõe que se cuide não só da saúde imediata, mas sobretudo da disposição para toda uma existência saudável, que proporcionará uma reencarnação vitoriosa, o que equivale dizer, rica de experiências iluminativas e libertadoras”.
Devemos, portanto, em face de ocorrências semelhantes, buscar apoio numa Casa Espírita bem orientada, onde as preces, os passes, a água fluidificada e o trabalho desobsessivo em benefício da entidade perturbadora produzirão, com certeza, o resultado esperado.
Sobre o assunto, sugerimos aos interessados que leiam, se possível, os textos a seguir indicados, todos disponíveis na Web:
A obsessão em crianças e a questão dos ovoides:
As diversas faces da obsessão infantil:
Obsessão infantil - o que fazer?
Obsessão na infância e na adolescência:
A criança obsidiada: como proceder?




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sábado, 15 de julho de 2017

Contos e crônicas


O riso, o canto, a goma, a reprise e as meias

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Amigo leitor, acabei de ler na revista Seleções Reader’s Digest, deste mês, que o riso nos faz suportar melhor a dor do que o não riso; o canto nos ajuda a evitar resfriado; mascar chicletes melhora nossa memória; reprises restauram-nos a energia mental e usar meias na cama melhora o sexo.
Vamos por parte: o canto nos ajuda a evitar resfriado. Talvez você não saiba, mas meu secretário, Joteli, adora cantar, ainda que nada conheça sobre música. Vai do som celestial da Ave-Maria, de Schubert, ao eco telúrico da Princesa, de Amado Batista.
Não sei por que ele vive resfriado... Será por que canta desafinado? Oh, rima infame!
Ignoro... diz ele que, na juventude, fez parte de um coral de mocidade espírita-cristã, e, ali, diziam ser ele um ótimo tenor.
Porém, de dois anos para cá, já contraiu duas pneumonias, ainda que não pare de cantar. Talvez isso seja um problema de DNA (rimou de novo).
Para quem não sabe, DNA= data de nascimento antiga.
Por incrível que pareça, nunca, a não ser por brincadeira, seus familiares se queixaram dele cantando... no banheiro. Dizem que o amam muito!
Quanto ao riso, que, hipoteticamente, nos auxilia a suportar a dor, após ler o escrito acima, não tente colocar a mão em água quente, amiga leitora. Não vale a pena arriscar, mesmo que seu senso de humor seja elevado e o frio esteja intenso no Centro-Oeste.
Em relação a mascar chicletes, deve realmente melhorar a memória. Nunca me esqueceu um colega de escola, quando eu era adolescente. Sabe por quê? Vi-o engasgar-se com essa goma, que grudou em sua garganta, e tornei a vê-lo após ele ser submetido a uma traqueostomia, ou seja, um furo no pescoço seguido de cirurgia para retirada do plástico. 
A imagem da cicatriz do amigo jamais me saiu das retinas. Como isso ocorreu há cinquenta anos, e nunca mais nos vimos, atribuo a causa de minha lembrança ao chiclete que ele mascava; o resto foram efeitos...
Falemos, agora, das reprises. Será que restauram mesmo a energia mental?
Não sou adepto de replays, mas creio em sua eficácia de restauração da mente.
O leitor há de concordar, entretanto, que algumas reprises não são nada agradáveis para o equilíbrio de nosso ser. Um exemplo: qual é o torcedor brasileiro que, não sendo masoquista, gostaria de assistir, novamente, ao jogo Alemanha 7 x 1 Brasil?
Quanto a deitar-se de meias, ainda não sei se melhora o sexo, pois é certo que, com a friagem em Brasília, nestes últimos dias, tenho dormido muito bem calçado com elas.
Carola também...
Depois desta crônica, vou pediu meu cachê à Seleções.






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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Iniciação aos clássicos espíritas





A Crise da Morte

Ernesto Bozzano

Parte 3

Damos continuidade ao estudo do clássico A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, conforme tradução de Guillon Ribeiro publicada em 1926 pela editora da Federação Espírita Brasileira. 
Esperamos que este estudo constitua para o leitor uma forma de iniciação aos chamados Clássicos do Espiritismo.
Cada parte compõe-se de:
1) questões preliminares;
2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto indicado para leitura. 

Questões preliminares

A. Quem é "Amicus" e que revelações ele transmitiu?
B. Que informações colhemos no sexto caso?
C. De onde foi extraído o sétimo caso e que é que ele nos revela?
D. Que diz Bozzano sobre a formação da memória integral?

Texto para leitura

35. Quinto caso - Este caso foi extraído de uma preciosa coleção de "revelações transcendentais" intitulada: The Morrow of Death by "Amicus", devida à mediunidade do Sr. Ernest H. Peckam. A Entidade comunicante, que usou o pseudônimo de "Amicus", foi em vida o Reverendo A. K. Stockwell, falecido mais de quarenta anos antes. (P. 43)
36. Stockwell revelou na mensagem, transcrita no livro, que o meio que recebe o desencarnado é determinado pelo grau de espiritualidade em que ele se acha. Com a morte, ganha a morada espiritual que preparou para si mesmo. (P. 45)
37. Eis, segundo anotou Bozzano, os detalhes gerais contidos na mensagem: a) a informação de que os Espíritos dos mortos, salvo raras exceções, são acolhidos e reconfortados por seus familiares e amigos desencarnados; b) a prova da "visão panorâmica" dos acontecimentos da vida; c) a informação sobre os desencarnados que não percebem que já morreram; d) a faculdade que têm os Espíritos de modelar e organizar, própria do pensamento no meio espiritual; e) a informação sobre a "lei de afinidade", que regula inexoravelmente os destinos humanos, sem a necessidade de intervenção de um Juiz Supremo a condenar ou absolver cada Espírito desencarnado. (PP. 46 e 47)
38. Sexto caso - Extraído de um precioso volume de revelações transcendentais, devido à mediunidade da Sra. E. B. Duffey, intitulado: Heaven Revised, este caso apresenta um conjunto orgânico, muito complicado, de concordâncias muito diferentes, grandes e pequenas, frequentemente estranhas e inesperadas, em contraste com as tradições religiosas assimiladas no curso da infância e da adolescência por toda a humanidade cristã. (PP. 48 a 51)
39. A personalidade comunicante fora, em vida, conhecida da médium. Era uma senhora distinta e de espírito muito culto, que, de livre-pensadora que era, tornou-se espírita nos últimos anos de sua vida. (P. 51)
40. Os detalhes gerais contidos na revelação desse Espírito são: a) o fato de a morta ignorar haver morrido; b) a experiência da "visão panorâmica" dos acontecimentos de sua vida; b) a circunstância de a morta achar-se em forma humana, no meio espiritual, onde andava ou, antes, se transportava pairando a pequena distância do solo; c) o reencontro com seus dois filhos, que ela levara à sepultura anos antes, os quais se haviam tornado adultos. (PP. 56 a 58)
41. A comunicante revela ainda que, quando sua mentalidade vibrava em uníssono com as vibrações específicas do meio terrestre, ela não percebia as vibrações infinitamente mais sutis do meio espiritual e, por conseguinte, os Espíritos que estavam a seu lado. Contudo, desde que seu pensamento se voltou para as coisas espirituais e vibrou em uníssono com o meio espiritual, ela viu desaparecer diante de si o mundo em que vivera, e se encontrou, como por encanto, no meio espiritual. (P. 58)
42. Sétimo caso - Este caso foi relatado pela revista Light, numa série de números do ano de 1922. Trata-se de uma coleção de "revelações transcendentais" recebidas por uma médium – Mrs. Hope Hunter – de limitada cultura intelectual e que ignorava inteiramente a doutrina espírita. (P. 59)
43. O comunicante era o Espírito de um irmão da médium, morto na Grande Guerra, a quem ela estimava muito. Quando o jovem militar se manifestou pela primeira vez, sucedeu o que quase sempre acontece nessas circunstâncias: é que o Espírito, reabsorvendo fluidos humanos e volvendo parcialmente às condições terrestres, não pôde deixar de ressentir e transmitir ao médium os sintomas que lhe caracterizaram a agonia. (P. 61)
44. Os detalhes contidos na série de mensagens captadas pela Sra. Hunter são estes: a) a experiência da "visão panorâmica" dos fatos da vida em que o falecido se comportara mal; b) o reencontro com o pai desencarnado, que o conduziu à sua residência, onde passou também a viver; c) o desconhecimento por parte de muitos de seus camaradas de que se achavam mortos; d) a mudança na percepção visual do comunicante, que passou a ver os encarnados como seres cada vez mais evanescentes. (PP. 61 a 63)
45. O Espírito comunicante informou achar-se, na vida espiritual, ativamente ocupado, e isso ocorria com todos. Quando se sentem fatigados, eles distraem-se, mas ninguém na Terra pode imaginar em que consistem esses descansos, que, da mesma forma que o cansaço, são diversos do que conhecemos no mundo físico. (P. 64)
46. Falando sobre o fenômeno da morte, o Espírito-guia da médium explicou que a crise da morte é, fundamentalmente, a mesma para todos; contudo, no caso de um soldado morto de maneira quase fulminante, as coisas diferem um pouco. Espíritos auxiliam o recém-desencarnado, que se sente aturdido, desorientado, aterrado, e não poderia ser de outro modo. (P. 64)
47. Aludindo à questão da visão retrospectiva dos fatos da existência terrena, o guia da médium disse não lhe ser possível explicar como o fato se produz; porém, a razão dele reside numa circunstância natural da vida, durante a qual toda ação que executamos e todo pensamento formulado ficam registrados indelevelmente no éter vitalizado que nos impregna o organismo. Trata-se – diz ele – de um processo fotográfico. (P. 65)
48. O guia esclareceu também por que o falecido, a princípio, não reconheceu o próprio pai, fato que com frequência ocorre. É que o aspecto dos desencarnados geralmente se modifica. Existe, no plano espiritual, um desenvolvimento do "corpo etéreo": um bebê cresce até chegar à maturidade; um velho alcança a idade viril, rejuvenescendo. (P. 66)
49. Explicando a possibilidade que o falecido tinha de ver o que seus camaradas pensavam, o guia espiritual informou que o fato era possível, porque na vida espiritual a transmissão do pensamento é a forma normal de conversação entre os Espíritos; depois, porque muitos pensamentos se exteriorizam da fronte daquele que os formula, revestindo formas concretas, correspondentes à ideia pensada, formas que todos os Espíritos percebem. (P. 66)
50. Comentando as informações do Espírito-guia, Bozzano diz que elas concordam com as indicações dos psicólogos e fisiologistas a respeito da memória fisiológica normal e da memória integral subconsciente. Para explicar a sua formação, eles falam de "vibrações" do pensamento, que se gravariam de modo indelével na substância cerebral. Apenas neste último detalhe existe discordância entre os psicólogos e o Espírito-guia, segundo quem as "vibrações" do pensamento se gravariam no éter vitalizado que constitui o "corpo etéreo" e não no cérebro físico. (P. 68)
51. Como a memória integral sobrevive à morte do corpo físico, a explicação do Espírito deve certamente ser verdadeira, visto que, doutro modo, morto o corpo, não subsistiria a memória. (P. 68)

Respostas às questões preliminares

A. Quem é "Amicus" e que revelações ele transmitiu?
"Amicus" foi o nome usado pelo Reverendo A. K. Stockwell, falecido mais de quarenta anos antes da mensagem transcrita por Bozzano, na qual o comunicante disse que o meio que recebe o desencarnado é determinado pelo grau de espiritualidade em que ele se acha, de forma que, depois da morte, cada indivíduo ganha a morada espiritual que preparou para si mesmo. (A Crise da Morte, pp. 43 a 47.)
B. Que informações colhemos no sexto caso?
Extraído de um volume de revelações transcendentais, devido à mediunidade da Sra. E. B. Duffey, intitulado Heaven Revised, este caso revela-nos quatro pormenores interessantes a respeito da vida no além-túmulo: 1.) o fato de a morta ignorar haver morrido; 2.) a experiência da "visão panorâmica" dos acontecimentos de sua vida; 3.) a circunstância de a morta achar-se em forma humana, no meio espiritual, onde andava ou, antes, se transportava pairando a pequena distância do solo; 4.) o reencontro com seus dois filhos desencarnados antes dela, os quais se haviam tornado adultos. (Obra citada, pp. 48 a 58.)
C. De onde foi extraído o sétimo caso e que é que ele nos revela?
O caso foi extraído de uma série de números do ano de 1922 da revista Light. Trata-se de uma coleção de "revelações transcendentais" recebidas pela médium Mrs. Hope Hunter, que ignorava inteiramente a doutrina espírita. O comunicante era o Espírito de um irmão dela, falecido na Grande Guerra. Os detalhes contidos na série de mensagens captadas pela Sra. Hunter são estes: a) a experiência da "visão panorâmica" dos fatos da vida em que o falecido se comportara mal; b) o reencontro com o pai desencarnado, que o conduziu à sua residência, onde passou também a viver; c) o desconhecimento por parte de muitos de seus camaradas de que se achavam mortos; d) a mudança na percepção visual do comunicante, que passou a ver os encarnados como seres cada vez mais evanescentes. (Obra citada, pp. 59 a 66.)
D. Que diz Bozzano sobre a formação da memória integral?
Ele diz que as informações dadas por um dos guias espirituais concordam com as indicações dos psicólogos e fisiologistas a respeito da memória fisiológica normal e da memória integral subconsciente. Para explicar sua formação, eles falam de "vibrações" do pensamento, que se gravariam de modo indelével na substância cerebral. Apenas neste último detalhe existe discordância entre os psicólogos e o Espírito-guia, segundo o qual as "vibrações" do pensamento se gravariam no éter vitalizado que constitui o "corpo etéreo" e não no cérebro físico. Como a memória integral sobrevive à morte do corpo físico, a explicação do Espírito deve certamente ser verdadeira, visto que, doutro modo, morto o corpo, não subsistiria a memória. (Obra citada, pág. 68.)

Nota:
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