sábado, 26 de maio de 2012

Os Espíritos também morrerão um dia?


Um amigo pergunta-nos se os Espíritos são realmente imortais, isto é, jamais terão fim. Em caso afirmativo, que significa a expressão “segunda morte”?
A imortalidade dos Espíritos constitui um dos princípios fundamentais da doutrina espírita. É claro que nós – seres espirituais – somos imortais. A morte atinge tão-somente o corpo material, que é perecível, mas a alma ou Espírito nada sofre, pois sobrevive ao fenômeno chamado morte e prossegue em sua marcha incessante, rumo à perfeição, que é a meta para a qual fomos criados.
Acerca do assunto, a fonte principal, em matéria de Espiritismo, é O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a primeira e mais importante obra dentre as que compõem a doutrina espírita, da qual pinçamos os trechos seguintes:
“... a existência dos Espíritos não tem fim.” (L.E., n. 83)
“A vida do Espírito é que é eterna; a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retoma a vida eterna.” (L.E., n. 153)
“Primeira classe. Classe única. Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus.” (L.E., n. 113)
“O essencial está em que o ensino dos Espíritos é eminentemente cristão; apoia-se na imortalidade da alma, nas penas e recompensas futuras, na justiça de Deus, no livre-arbítrio do homem, na moral do Cristo. Logo, não é antirreligioso.” (L.E., n. 222)
“A que se deve atribuir o relaxamento dos laços de família e a maior parte das desordens que minam a sociedade, senão à ausência de toda crença? Demonstrando a existência e a imortalidade da alma, o Espiritismo reaviva a fé no futuro, levanta os ânimos abatidos, faz suportar com resignação as vicissitudes da vida.” (L.E., Conclusão, n. III)

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A expressão “segunda morte” é examinada por André Luiz em seu livro Libertação, psicografado por Francisco Cândido Xavier.
Conforme o que André Luiz expôs na referida obra, a expressão segunda morte é aplicada no plano espiritual aos casos em que há perda do veículo perispiritual, ou corpo espiritual, a que se refere Paulo de Tarso em uma de suas epístolas, o qual, embora estruturado em um tipo de matéria mais rarefeita, seria também transformável e perecível como os corpos físicos.
Do mesmo modo que há companheiros que se desfazem do veículo perispiritual rumo a esferas sublimes, os ignorantes e os maus, os transviados e os criminosos também perdem, um dia, a forma perispiritual. Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem elevar-se e gravitam em derredor das paixões absorventes que por muitos anos eles geraram em centro de interesses fundamentais. "Grande número, nessas circunstâncias, mormente os participantes de condenáveis delitos, imantam-se aos que se lhes associaram nos crimes", diz Gúbio (Libertação, cap. VI, pp. 84 a 86).
Ernesto Bozzano refere-se ligeiramente ao assunto em seu livro A Crise da Morte. Segundo Bozzano, há relatos espirituais que informam que existe uma espécie de “segunda morte” nas esferas espirituais, precisamente como se morre no mundo dos vivos, ou seja, quando um Espírito chegou à maturidade espiritual, adormece e desaparece do seu meio, sem que os outros saibam o que foi feito dele (A Crise da Morte, pp. 133 e 134).
O confrade Paulo Nagae escreveu sobre o tema um interessante artigo, que pode ser visto no seguinte endereço eletrônico: http://www.espacoespirita.net/modules/smartsection/item.php?itemid=196
De forma resumida, diz Nagae, a morte do corpo perispiritual, ou segunda morte, ocorre quando o Espírito, em sua caminhada para Deus, passa a reencarnar em mundos nos quais necessita de um corpo espiritual mais sutil. Esse fato pode ocorrer também no caso da formação de ovoides, quando uma ideia obsessiva de ódio ou vingança, por exemplo, destrói momentaneamente o corpo espiritual.
É de notar, porém, em todos os textos citados, que o fato designado pela expressão “segunda morte” não atinge a alma, mas tão-somente o veículo que ela utiliza, o qual será substituído no momento oportuno, porque a alma, como já vimos, é imortal.

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