quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Pílulas gramaticais (279)





Um leitor pergunta-nos qual é a diferença entre vocativo e aposto.
Vocativo é o termo cujo objetivo ou função é evocar, chamar ou interpelar uma pessoa ou um ser personificado:
- Maria, venha até aqui, por favor.
- Ó garoto, veja isto...
- Meninos do Brasil, vocês são a nossa esperança de um futuro melhor!
- Amigos do facebook, leiam e compartilhem este texto.
O aposto integra a lista dos chamados termos acessórios da oração, que são o adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto.
Aposto pode ser uma palavra ou uma frase que se junta a um ou a vários termos da oração, a título de explicação:
- Olavo Bilac, o príncipe dos poetas, foi parnasiano.
- Tiradentes, o mártir da Independência, é lembrado até  hoje pelos brasileiros.
- Garrincha, o craque das pernas tortas, foi fundamental em duas copas do mundo.
Como vemos nos exemplos acima, quando no meio da oração, o aposto vem entre vírgulas.
A diferença entre vocativo e aposto é muito clara.
No vocativo falamos com a pessoa ou o ser personificado; no aposto, falamos dela ou sobre ela.

*

Termo usado com frequência nos últimos tempos, impeachment é um vocábulo pertencente ao idioma inglês que significa impedimento, destituição. Registrado no VOLP e também nos principais dicionários da língua portuguesa, impeachment designa, no regime presidencialista, o ato pelo qual se destitui, mediante deliberação do Poder Legislativo, o ocupante de cargo governamental que pratica crime de responsabilidade.




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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Contos e crônicas






Os desenhos de Apolline

CÍNTHIA CORTEGOSO
cinthiacortegoso@gmail.com
De Londrina-PR

Quando ouvia o sino da matriz, principalmente, às dezoito horas, quando saía da escola e já havia cumprido o compromisso escolar, seu batimento acelerava como um despertar no tempo atual talvez por algum fato do passado, mas o coração de oito anos de Apolline era ainda tão jovem.
E o sino batia quando ela passava em frente à igreja na volta para casa. De segunda à sexta era assim. Nos fins de semana, ou se estava brincando ou fazendo a tarefa, parava, fechava os olhinhos e ouvia o som. Isso acontecia desde que a menina era bem mais novinha. Os pais achavam graça, porém, era tão profundamente que Apolline sentia.
Começou, há pouco tempo, desenhar uma casa com arquitetura mais antiga; a menina desenhava muito bem. Depois vieram o jardim, o campo de flores em volta que se estendia a alguns quilômetros, os animais ‒ quando desenhou um pequeno cachorro branco, a menina sorriu ‒, até que começou a preencher o desenho com algumas pessoas. Após a casa, vieram vários quadros de desenhos. A sequência desenvolvia-se cada dia um pouquinho.
E o tempo passava. Até que num sábado de manhã, depois de ter ouvido o sino tocar às dez horas, Apolline veio até a cozinha onde os pais estavam e disse-lhes que gostaria de mostrar-lhes os desenhos, estavam terminados. Os pais sorriram e pediram-lhe que os trouxesse.
A menina, como um corisco, foi buscá-los em seu quarto. Pegou as várias folhas desenhadas, organizou-as apoiando-as na escrivaninha e, como um raio, voltou à cozinha. Os pais estavam sentados à mesa aguardando-a. A filha colocou as folhas sobre a mesa. Eles sempre lhe deram muita atenção e amor.
Como as folhas estavam sequenciadas, à medida que eles fossem passando-as uma história começava a ser criada. Desde o primeiro desenho, os pais se surpreenderam com o que viram. Os detalhes eram muito encantadores e, ainda nas primeiras folhas, os pais já haviam desmanchado o sorriso e uma surpresa bem definida estava no semblante do casal.
O que os surpreendeu era a própria época, há uns cem anos. Aquela arquitetura, detalhes, cores, eram os mesmos questionamentos que os dois faziam mentalmente. E a filha passava-os e explicava-os com a desenvoltura de quem sabia, de fato, o que estava fazendo. E a pequena apontava algumas partes e lhes trazia as explicações. Foi um total de quinze folhas desenhadas.
A surpresa no olhar dos dois era evidente, pois estavam com os olhos arregalados e quase não piscavam. E passaram todas as folhas até chegarem à última. No fim desta, ao lado direito, estavam duas letras, poderiam ser as iniciais de algum nome ou informação. E o pai não perdeu tempo e logo lhe perguntou qual era o significado. A filha não tinha argumentações prontas nem convincentes, apenas falou com sinceridade que quando terminou os desenhos apenas fez, com muita rapidez, as duas letras.
Após a resposta, o pai, simples, mas com gosto e certo entendimento por desenhos e arte, lembrou-se de que havia folheado, numa livraria, um dia desses, um livro de grandes arquitetos dos séculos XIX e XX e uma das obras arquitetônicas apresentadas era de uma famosa arquiteta que assinava o esboço e suas obras com as mesmas letras e caligrafia com que Apolline fizera.
Os três ficaram quietos ora olhando-se, ora olhando o desenho.
O sino tocou mais uma vez no horário do meio-dia.
Ainda nesse livro, estava escrito que a mesma arquiteta amava o som do sino e adorava seu cão branco, companheiro e tão querido.

Visite o blog Conto, crônica, poesia… minha literatura: http://contoecronica.wordpress.com/





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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

As mais lindas canções que ouvi (264)






Sua Majestade, o Neném

Klécius Caldas e Armando Cavalcanti

Silêncio, ele está dormindo...
Vejam como é lindo,
Sua Majestade, o Neném.
A casa já tem novo dono,
Novo rei no trono,
Sua Majestade, o Neném.

Parece com o papai,
Com a mamãe também..
Parece com a vovó? Não!
Não parece com ninguém!
Ele, é ele só,
Sua Majestade, o Neném.(1)



(1) Esta canção é uma singela homenagem que prestamos ao nosso filho Marcelo Cazeta de Oliveira, que nos deixou rumo à pátria espiritual, no dia 12 de outubro último, coincidentemente no Dia das Crianças. A canção era por nós cantada, ao violão, ao lado do seu berço, e muitas vezes ele adormecia ao som da música, que ele tanto amava.




As cifras desta música você encontra em: https://cifrantiga3.blogspot.com.br/2008/11/sua-majestade-o-nenem.html   



Você pode ouvir a canção acima cantada pelo Trio Nagô, clicando em https://www.youtube.com/watch?v=F0bhnCHmqKY




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domingo, 15 de outubro de 2017

Reflexões à luz do Espiritismo





Gravidez decorrente de uma violência

Um amigo ainda neófito em matéria de Espiritismo pergunta-nos como se explica a reencarnação proveniente de um estupro.
Entendemos, à vista dos ensinamentos contidos na obra de Allan Kardec, que ninguém vem ao mundo para estuprar ou cometer suicídio. Em face disso, tais ações não fazem parte, com toda a certeza, de nenhuma programação reencarnatória.
Isso não significa que as vítimas de um estupro tenham passado por essa situação por mera obra do acaso, porque, como sabemos, o acaso não existe. As ações que cometemos num dado momento apresentarão necessariamente uma reação, e o próprio Cristo a isso se referiu quando do conhecido episódio narrado no Evangelho de Mateus em que disse a Pedro: “Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão” (Mateus, 26:52).
Em entrevista concedida à revista O Consolador foi perguntado a Divaldo Franco: – Qual deve ser, à luz do Espiritismo, a posição de uma jovem e sua família diante de uma gravidez originada de um estupro?
O conhecido médium respondeu: “Embora lamentável e dolorosa a circunstância traumática da ocorrência, é dever da jovem e dos seus familiares manterem a gravidez, auxiliando o Espírito que se reencarna em situação aflitiva e angustiante. Compreende-se a dor da vítima e dos seus familiares, no entanto não se tem o direito de matar o ser reencarnante que necessita do retorno daquela maneira, a fim de crescer para Deus. Não raro, esses seres que renascem nessa conjuntura tornam-se amorosos e profundamente agradecidos àqueles que lhe propiciaram o recomeço terrestre: a mãe e os familiares”. (1)
Chamamos a atenção para este trecho da resposta dada por Divaldo: “Não raro, esses seres que renascem nessa conjuntura tornam-se amorosos e profundamente agradecidos...”. [Negritamos.]
Por que será? Se não houve programação alguma do estupro contra aquela mulher, que filho é esse que, anos mais tarde, torna-se amoroso e agradecido?
A resposta vamos encontrar em um texto do Dr. Jorge Andréa (Encontro com a Cultura Espírita, págs. 91 a 95), que afirma que nenhum Espírito chega ao processo reencarnatório sem uma atração específica com sua futura mãe.
O mergulho na reencarnação – diz ele – só se dá quando a sintonia entre a mãe e o futuro filho estiver praticamente indissolúvel. Qualquer que seja a qualidade do reencarnante, haverá sempre com a mãe correlação de causas, onde ambos lucrarão sempre, no sentido evolutivo, quer os mecanismos se exteriorizem nas faixas do amor ou do ódio. O Espírito reencarnante, com o seu campo específico de energias, fará a seleção do espermatozoide pelas contingências de suas irradiações, adquirindo e construindo o futuro corpo de acordo com suas necessidades.
A posição de Joanna de Ângelis (Após a Tempestade, cap. 10, obra psicografada por Divaldo P. Franco) não é diferente. Os filhos – diz ela - não são realizações fortuitas. Procedem de compromissos aceitos antes da reencarnação pelos futuros genitores, de modo a edificarem a família de que necessitam para a própria evolução. Se é lícito a uma pessoa adiar a recepção de Espíritos que lhe são vinculados, impossibilitando mesmo que se reencarnem por seu intermédio, as Soberanas Leis da Vida dispõem de meios para fazer com que aqueles rejeitados venham por outros processos à porta dos seus devedores ou credores, em circunstâncias talvez mui dolorosas.
É por isso que, à luz dos ensinamentos espíritas, só podemos admitir o aborto que se pratica para salvar a vida da gestante, e nenhum outro, como temos dito, aqui e acolá, repetidas vezes.

(1) A entrevista concedida por Divaldo Franco pode ser vista na íntegra clicando-se neste link: http://www.oconsolador.com.br/51/entrevista.html




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sábado, 14 de outubro de 2017

Contos e crônicas







José Raul Teixeira, uma homenagem

JORGE LEITE DE OLIVEIRA
jojorgeleite@gmail.com
De Brasília-DF

Amigo leitor, no dia 6 de outubro de 2017, foi feita homenagem aos 90 anos de Divaldo Pereira Franco, completados no último dia 5 de maio. O evento foi realizado no Auditório Ulisses Guimarães da Câmara dos Deputados, e, posteriormente, na sede da Federação Espírita Brasileira (FEB). Na Câmara, a Deputada Dorinha, após enaltecer o elevado trabalho do tribuno e médium baiano, passou-lhe a palavra para ele proferir sua alocução, que concluiu declamando o Poema da Gratidão, do espírito Amélia Rodrigues.
Um pouco mais tarde, Divaldo também foi homenageado na sede da FEB. Sobre o agraciado, o muito que falemos ainda é pouco, tendo em vista a admiração que o Brasil espírita lhe tem e o reconhecimento de seu belo trabalho, de repercussão internacional. 
Nessa data, também comemoramos, antecipadamente, o aniversário de José Raul Teixeira, meu irmão e amigo, a quem dedico as próximas linhas. Ele, que aniversaria no dia 7 de outubro, esteve presente à homenagem ao tribuno espírita Divaldo Pereira Franco e pudemos reencontrar-nos e estreitar os laços fraternos. (Na foto acima veem-se Raul, Edna, Jó e Lourdes.)
Conheci-o em Salvador, Bahia, quando ali residi, na década de setenta, e morava sozinho num quarto do próprio quartel, o 19º Batalhão de Caçadores. Por força do serviço militar, eu fora transferido, do Rio de Janeiro, minha terra natal, para a cidade soteropolitana, mas meu salário era tão baixo, que eu nem ao menos podia alugar um hotel barato na capital baiana. Nos finais de semana, frequentava a Juventude Espírita Nina Arueira, núcleo do Centro Espírita Caminho da Redenção, e, por vezes, assistia a reuniões públicas nessa casa, quando tinha a oportunidade de ouvir palestras de Divaldo Franco, de Nilson Pereira ou de algum convidado destes.
Num desses dias de reunião pública, lá estava o nosso irmão Raul, que fora convidado por Divaldo para fazer a exposição daquela noite (as palestras eram às 20h, toda a quarta-feira). O salão estava lotado, e o jovem palestrante foi brilhante. Ao final de sua exposição, cumprimentei-o, trocamos endereços e, a partir desse dia, passamos a nos corresponder por carta, que era o meio de comunicação mais eficaz, depois do telefone, naquele tempo.
Raul sempre me encorajava, em nossas correspondências, a prosseguir nos estudos e prática das boas ações, e eu sempre a reclamar do isolamento em que vivia, de doença crônica dos ouvidos etc. etc. etc. Haja coração e paciência para aguentar um amigo chorão desses, não é mesmo, meu irmão?
Entretanto, ali estavam dois jovens com o ideal superior de servir a Jesus, na divulgação e prática espírita. Um deles, pouco mais velho, o Raul, já com uma bagagem intelectual primorosa. O outro, Jó, ainda nem concluíra o ensino médio, mas já sonhava dedicar sua vida ao Espiritismo cristão...
No domingo seguinte àquela reunião, soube que o irmão Raul faria nova palestra na Federação Espírita do Estado da Bahia e, sem perda de tempo, fui assistir a sua iluminada palestra, munido de pequeno gravador com fita cassete. O tempo total de gravação era de uma hora, mas quase fiquei sem ouvir o final de sua brilhante palestra sobre as três alternativas da humanidade: a do materialismo, a do panteísmo e a do espiritualismo, pois o lado b da fita já estava quase cheio...
No final de sua exposição, o nobre Raul declamou um longo e belíssimo poema, psicografado por Chico Xavier e de autoria espiritual de José Silvério Horta, intitulado:

Prece

Louvado sejas, Senhor,
Na glória do Lar Celeste,
Pelos bens que nos trouxeste
No Evangelho redentor.
Na tarefa renovada
Que o teu olhar nos consente,
De espírito reverente,
Clamamos por teu amor.

Pobres cegos que fugimos
Da luz a que nos elevas,
Nossa oração rompe as trevas,
Escuta-nos, Mestre, e vem...
Retifica-nos o passo
Para a estrada corrigida,
Sustentando-nos a vida
Na força do Eterno Bem.

Dá-nos, Jesus, tua bênção,
Que nos consola e levanta...
Que a tua doutrina santa
Vibre pura e viva em nós!
Faze, Senhor, que nós todos,
Na caminhada incessante,
Cada dia, cada instante,
Posamos ouvir-te a voz.

Ampara-nos a esperança,
Socorre-nos a pobreza,
Liberta nossa alma presa
Do erro e da imperfeição!...
Mestre excelso da verdade,
Hoje e sempre, em toda parte,
Ensina-nos a guardar-te,
No templo do coração.

Você que conhece o José Raul Teixeira, que ouviu ao menos algumas de suas palestras inspiradas, imagine, leitor, a emoção causada a todo o público e, em especial a nós, pela conclusão da exposição do nosso irmão com esse poema em forma de prece. Pois o Raul declamou-o de cor, com bela entonação e sem qualquer titubeio, após quase uma hora de palestra...
Durante mais de vinte anos, guardei comigo a fita, como incentivo ao meu pequenino esforço em aprender para melhor servir essa doutrina maravilhosa, que é o Espiritismo. Um dia, num dos reencontros com o Raul, em Brasília, presenteei-o com a gravação de sua inesquecível palestra. Ele a recebeu com carinho e, bondoso como sempre, guardou a lembrança.
Parabéns, Raul, o abraço que lhe demos hoje eu, minha esposa e amigos, mais do que lhe transmitir boas vibrações, as quais não possuo, beneficiou-nos com suas energias de servidor de Jesus. Que possamos seguir seu exemplo de vida, totalmente dedicada à divulgação e exemplificação dos ensinamentos espíritas cristãos.






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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Notas de família





O passamento de Marcelo Cazeta de Oliveira

Uma triste notícia acordou-nos na madrugada de ontem, dia 12 de outubro: o falecimento de nosso filho caçula, Marcelo Cazeta de Oliveira, ocorrido à 1h30 do mesmo dia, no Hospital do Coração de Balneário Camboriú, cidade onde ele vivia com sua esposa Queila (foto ao lado).
Marcelo completou em agosto último 43 anos. Nascido em 16 de agosto de 1974, é nosso quarto filho. Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Londrina, era casado com Queila Aparecida da Silva.
Todos que o conheciam o estimavam muito e admiravam seu conhecimento em muitas áreas, especialmente em matéria de doutrina espírita.
Nas lides espíritas, além de palestrante muito apreciado por quem o ouvia, teve excelente participação no trabalho de assistência espiritual prestado aos detentos da Penitenciária Estadual de Londrina, bem como no grupo mediúnico – o Grupo Esperança – que funciona nas dependências do Hospital do Câncer da cidade.
Atuou também, desde a juventude, no Centro Espírita Nosso Lar e foi um dos fundadores, quando ainda adolescente, da Comunhão Espírita Cristã de Londrina, onde participava dos trabalhos matinais realizados aos domingos.
Por motivos profissionais, residia ultimamente em Balneário Camboriú, onde participava das atividades realizadas pela Centro Espírita Casa de Jesus, uma das principais instituições espíritas do vizinho estado de Santa Catarina.
Nos últimos anos de sua existência fez parte da equipe de redação da revista “O Consolador”, à qual dava seu concurso sempre com grande competência, anonimamente, sem nenhuma questão de ver seu nome divulgado.
O sepultamento do corpo de Marcelo Cazeta de Oliveira realizou-se nesta sexta-feira, às 10h30, no Cemitério Jardim da Saudade, localizado na Av. Saul Elkind, 2805 - Conj. Vivi Xavier, em Londrina.
Momentos antes do fechamento da urna, perante um público numeroso, fizemos, em nome da família e do filho que ora volta à pátria espiritual, uma breve saudação, seguida de sentida prece feita por nossa amiga Jane Martins Vilela, diretora do jornal O Imortal, de Cambé (PR).
Na saudação, além de agradecer as mensagens de apoio recebidas de centenas de pessoas, seja pela internet, seja pessoalmente, lembramos que ali estava o corpo não apenas de um filho querido, mas também de um companheiro de trabalho, cuja dedicação às tarefas espíritas era conhecida e admirada por todos.
Esta nota tem por finalidade registrar o nosso sincero agradecimento aos familiares e aos amigos pelo apoio que nos deram, pelas vibrações que nos enviaram e pelo carinho com que nosso filho foi lembrado pelas pessoas que nos deram a honra de sua presença na singela cerimônia que precedeu o funeral.
Desejamos, por fim, agradecer a excepcional ajuda que recebemos de dois casais: Rosana e Renato Brogin – filha e genro –, que cuidaram de todas as providências necessárias à liberação e ao traslado do corpo de Balneário Camboriú para Londrina; e Sílvia e Bruno de Oliveira – nora e filho –, que diligenciaram junto à Acesf para que o sepultamento do corpo fosse realizado a tempo e hora.




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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Iniciação ao estudo da doutrina espírita





Casamento e divórcio

Este é o módulo 49 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Como o Espiritismo conceitua o casamento?
2. Que ingrediente fundamental não pode faltar à união matrimonial?
3. Que pode ocorrer quando a lei de amor não preside à união dos sexos?
4. Por que existem em nosso mundo ligações matrimoniais de caráter francamente expiatório?
5. O divórcio contraria a lei divina? 

Texto para leitura

No casamento, a lei de amor nem sempre é levada em conta
1. O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna. Embora em condições diversas, o casamento é uma instituição presente entre todos os povos. Aboli-lo seria, pois, regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que nos dão o exemplo de uniões constantes.
2. Na união dos sexos, ensina o Espiritismo, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus e exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos cônjuges se transmitisse aos filhos e fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles, a fazê-los progredir.
3. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor infelizmente nem sempre é tida em consideração. Muitas uniões ocorrem no mundo tão somente por interesse, sem levar em conta a afeição dos seres, o que explica por que muitos casamentos se desfazem em pouco tempo.
4. Evidentemente, nem a lei civil nem os compromissos contraídos por força da legislação humana podem suprir a lei de amor, se esta não presidiu à união, de que resultam uniões infelizes que muitas vezes acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, não se abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus, que é a lei de amor.
5. Não se deduza disso que seja supérflua a lei civil e que devemos volver aos casamentos segundo a natureza. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses da família, de acordo com as exigências da civilização. Ela é, portanto, útil e necessária, conquanto variável, mas nada absolutamente se opõe a que seja um corolário da lei de Deus.

Casamento é compromisso e gera, por isso, responsabilidade
6. Segundo o ensino espírita, caracteriza-se o estado moral de um povo pelas uniões que se fazem rápidas, em decadência, ou demoradas, num processo de ascensão tipificando a emotividade que rege a convivência ética das criaturas. O matrimônio, vê-se logo, tem papel preponderante na formação da comunidade.
7. Se a união das pessoas pelos laços do matrimônio é determinada por interesses materiais, pelo furor das paixões ou pelo jogo das conveniências, estaremos diante de uma realização fadada ao fracasso, porquanto a lei de amor não foi aí cogitada. Essas ligações, com o decorrer do tempo, passadas as ilusões dos primeiros momentos, permitirão que entre os cônjuges se estabeleçam antipatias mútuas que, com o desgaste natural, se cristalizarão em relações inamistosas.
8. A satisfação pura e simples dos instintos, no matrimônio, leva os cônjuges a uma saturação recíproca e a um isolacionismo que deterioram em pouco tempo o relacionamento conjugal, fazendo que o casamento decline e se degrade. É indispensável construir uma consciência responsável por meio da educação moral, doméstica e social das criaturas, para que o matrimônio mereça um pouco mais de respeito, antes de se assumir o compromisso que, contraído por leviandade, logo se dissolverá.
9. Casamento é compromisso, e compromisso – lembra-nos Emmanuel – gera responsabilidade. Antes de optarem por dar um passo tão sério, o homem e a mulher devem refletir maduramente, para que não venham a sofrer, evitando, desse modo, que sofram as pessoas a eles ligadas. A grande vítima das uniões precipitadas acaba sendo a sociedade e todos os que a formam, principalmente os filhos, vítimas indefesas da leviandade e da precipitação de adultos malformados.
10. Os filhos – indivíduos que retornam à vida corpórea para recuperarem oportunidades que se foram ao longo das existências – necessitam que seus pais deem exemplos de moralidade, devotamento e equilíbrio. É fundamental que os casais entendam isso e se compenetrem dos deveres que assumiram perante a prole, perante Deus e perante si mesmos.

A lei do divórcio não é contrária à lei divina
11. A lei de amor, que deve sempre reger as ligações matrimoniais, permite que os indivíduos se procurem e se escolham, mas exige também que se respeitem e se apoiem ante as provas e dificuldades da vida. O casamento ou a união permanente de dois seres implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Imperioso, portanto, que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, uma vez que na comunhão sexual um ser se entrega ao outro e, em face disso, não deve haver qualquer desconsideração entre eles.
12. Os débitos contraídos por legiões de companheiros, portadores de entendimento verde para os temas do amor, determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexuais, acobertados ou não pela lei humana, o aspecto de ligações francamente expiatórias. Decorre daí a importância dos conhecimentos alusivos à reencarnação e do pleno exercício da lei de amor no recesso do lar, para que este não se converta, de bendita escola que é, em pouso neurótico a albergar moléstias mentais dificilmente reversíveis.
13. É fácil compreender que, sem entendimento e respeito, conciliação e afinidade espiritual, se torna difícil o êxito no casamento, porquanto somos defrontados em família por provas e crises inúmeras, nas quais nos inquietamos e gastamos tempo e energia para ver a parentela na trilha que entendemos ser a mais certa.
14. Essas crises, em muitas ocasiões, acabam redundando no divórcio, uma medida criada pelos homens cujo objetivo é separar legalmente o que de fato já está separado.
15. O divórcio, se adotado como medida extrema que evite um dano maior à família, não é contrário à lei divina, porquanto apenas reforma o que os indivíduos fizeram e só se aplica nos casos em que, na união conjugal, não se levou em conta a lei de amor. É por isso que nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento, visto que em caso de adultério, conforme registra o Evangelho segundo Mateus (cap. 19, versículos 3 a 9), o próprio Mestre admitia que a pessoa lesada desse à outra a carta de separação.

Respostas às questões propostas

1. Como o Espiritismo conceitua o casamento?
O casamento constitui um dos primeiros atos de progresso nas sociedades humanas, porque estabelece a solidariedade fraterna. Aboli-lo seria regredir à infância da Humanidade e colocaria o homem abaixo mesmo de certos animais que nos dão o exemplo de uniões constantes.
2. Que ingrediente fundamental não pode faltar à união matrimonial?
O ingrediente que na pode faltar à união matrimonial é o amor. Deus quer que os seres se unam não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos cônjuges se transmita aos filhos e sejam dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles, a fazê-los progredir.
3. Que pode ocorrer quando a lei de amor não preside à união dos sexos?
A consequência disso são as uniões infelizes que muitas vezes acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, não se abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus, que é a lei de amor.
4. Por que existem em nosso mundo ligações matrimoniais de caráter francamente expiatório?
São os débitos contraídos por legiões de companheiros, portadores de entendimento verde para os temas do amor, que determinam a existência de milhões de uniões supostamente infelizes, nas quais a reparação de faltas passadas confere a numerosos ajustes sexuais, acobertados ou não pela lei humana, o aspecto de ligações francamente expiatórias.
5. O divórcio contraria a lei divina?
Não. O divórcio, se adotado como medida extrema que evite um dano maior à família, não é contrário à lei divina, porquanto apenas reforma o que os indivíduos fizeram e só se aplica nos casos em que, na união conjugal, não se levou em conta a lei de amor. É por isso que nem mesmo Jesus consagrou a indissolubilidade absoluta do casamento, visto que em caso de adultério, conforme registra o Evangelho segundo Mateus (cap. 19, versículos 3 a 9), o próprio Mestre admitia que a pessoa lesada desse à outra a carta de separação.

Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos  textos:





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