quinta-feira, 15 de março de 2018




Perturbação espiritual após a morte

Este é o módulo 71 de uma série que esperamos sirva aos neófitos como iniciação ao estudo da doutrina espírita. Cada módulo compõe-se de duas partes: 1) questões para debate; 2) texto para leitura.
As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto sugerido para leitura. 

Questões para debate

1. Que sensações experimenta a alma por ocasião da morte?
2. Há Espíritos que se sentem perturbados durante os instantes que se seguem à morte corporal?
3. O comportamento religioso exerce alguma importância na situação da alma após a morte?
4. Qual a situação das pessoas que cultivaram as religiões simplistas, que prometem o Céu a golpes de facilidade e oportunismo?
5. Em poucas palavras, como definir o estado do Espírito por ocasião da morte?

Texto para leitura

É variável a duração da perturbação após a morte
1. Por ocasião da morte – ensina o Espiritismo – tudo, a princípio, é confuso. A alma precisa de algum tempo para entrar no conhecimento de si mesma. Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar e se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
2. Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte corporal. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Para aqueles que já na existência corpórea se identificaram com o estado que os aguardava, menos longa ela é, porque eles compreendem imediatamente a posição em que se encontram.
3. O processo de desprendimento espiritual é lento ou demorado, conforme o temperamento, o caráter moral e as aquisições espirituais de cada ser. Não existem duas desencarnações iguais. Cada pessoa desperta ou se demora na perturbação, conforme as características próprias de sua personalidade.
4. Nesse sentido, o comportamento religioso exerce fundamental importância. Os que se fixaram às ideias niilistas, materialistas, hibernam-se, não raro, como a fugir da realidade, num bloqueio inconsciente de longo porte que os atormenta em forma de pesadelos infelizes de que não conseguem facilmente libertar-se.

Muitos assistem estarrecidos à decomposição cadavérica
5. Tendo agasalhada a ideia do nada, deperecem e se exaurem em agonia superlativa, sem que se permitam alívio, nas regiões frias e temerosas a que são arrastados por natural processo de sintonia mental, quando não acompanham, estarrecidos, a decomposição do próprio corpo a que se agarram, tentando restabelecer-lhe os movimentos, em luta inglória.
6. Os que cultivaram as religiões simplistas, que prometem o Céu a golpes de facilidade e oportunismo, são surpreendidos por uma realidade bem diversa com que não contavam.
7. Os que agasalharam ideias esdrúxulas, fazem-se vítimas de horrores e alucinações lamentáveis que os desnorteiam por tempo indeterminado. 
8. Os suicidas, graças às atenuantes e agravantes que os selecionam automaticamente, descobrem em inditoso despertar a não existência da morte.
9. Os que se converteram em destruidores da vida alheia experimentam as aflições que infligiram e expungem, em intérmina angústia, o acordar da consciência e a sobrecarga dos crimes perpetrados. 

A perturbação é o estado normal no instante da morte
10. A perturbação espiritual é, pois, ocorrência comum na transição da vida corporal para a espiritual. Nesse instante, a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações. 
11. A perturbação pode ser, assim, considerada o estado normal no instante da morte, e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos.
12. O último alento quase nunca é doloroso, uma vez que ocorre ordinariamente em momento de inconsciência. Na morte violenta, porém, as sensações não são exatamente as mesmas, porque em tais situações o desprendimento só começa depois da morte e não pode completar-se rapidamente. O Espírito, colhido de improviso, fica como que aturdido e acredita-se vivo, prolongando-se essa ilusão até que compreenda seu estado.
13. O estado do Espírito por ocasião da morte pode, portanto, ser resumido nas proposições que se seguem:
- Será tanto maior o sofrimento quanto mais lento for o desprendimento do perispírito.
- A presteza do desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito.
- Para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual sono breve, isento de agonia, cujo despertar é suavíssimo.

Respostas às questões propostas

1. Que sensações experimenta a alma por ocasião da morte?
Por ocasião da morte, a alma se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam aos poucos, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar e se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
2. Há Espíritos que se sentem perturbados durante os instantes que se seguem à morte corporal?
Sim. E o tempo que dura a perturbação é variável, visto que pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Para aqueles que já na existência corpórea se identificaram com o estado que os aguardava, menos longa é essa perturbação, porque eles compreendem imediatamente a posição em que se encontram.
3. O comportamento religioso exerce alguma importância na situação da alma após a morte?
Sim. O processo de desprendimento espiritual é lento ou demorado, conforme o temperamento, o caráter moral e as aquisições espirituais de cada ser, e, por isso, o comportamento religioso exerce fundamental importância. Os que se fixaram às ideias niilistas, materialistas, hibernam-se, não raro, como a fugir da realidade, num bloqueio inconsciente de longo porte que os atormenta em forma de pesadelos infelizes.
4. Qual a situação das pessoas que cultivaram as religiões simplistas, que prometem o Céu a golpes de facilidade e oportunismo?
Essas pessoas são surpreendidas por uma realidade bem diversa com que não contavam.
5. Em poucas palavras, como definir o estado do Espírito por ocasião da morte?
O estado do Espírito por ocasião da morte pode ser resumido nas proposições que se seguem: Será tanto maior o sofrimento quanto mais lento for o desprendimento do perispírito. A presteza do desprendimento está na razão direta do adiantamento moral do Espírito. Para o Espírito desmaterializado, de consciência pura, a morte é qual sono breve, isento de agonia, cujo despertar é suavíssimo.


Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 164 e 165.   
O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, Parte 1, itens 6, 7, 12 e 13.  


Nota:
Eis os links que remetem aos 3 últimos textos:





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